sexta-feira, 31 de maio de 2013

Gabriela Mistral - Canção das Meninas Mortas







Canção das Meninas Mortas





E essas pobres meninas mortas,
escamoteadas em abril,
as que surgiram e afundaram-se
como nas ondas o delfim?
Onde é que foram e se encontram,
a custo contendo o riso,
ou escondidas esperando
voz de um amante que seguir?
Diluindo-se como desenhos
que deus deixou de colorir,
pouco a pouco afogadas como
em suas fontes um jardim?
À vezes procuram nas águas
ir recompondo seu perfil
e nas carnudas rosas róseas
quase começam a sorrir.
Nos campos elas acomodam
o talhe, o vulto quebradiço.
e quase logram que uma nuvem
lhes dê seu corpo num ardil.
Juntam-se quase as desmembradas,
quase chegam ao sol feliz.
quase desfazem seu trajeto
recordando que eram daqui.
Quase anulam sua traição
e caminham para o redil.
e quase vemos ao crepúsculo
o divino milhão surgir





Gabriela Mistral, pseudônimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi uma poetisa educadora, diplomata e feminista chilena.

Foi agraciada com o Nobel de Literatura de 1945.

Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais dolorosas e mágoa e recuperação. Lucíla nasceu na cidade de Vicuña, Chile, em 7 de abril de 1889. Seu pai abandonou a família quando Lucíla completou três anos de idade. A mãe de Lucila faleceu no ano de 1929 e a escritora lhe dedicou a primeira parte de seu livro Tala, a que chamou: Muerte de mi Madre. Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária (1904) e ganhou renome ao vencer os Juegos Florales de Santiago (1914) com Sonetos de La muerte, sob o pseudônimo de Gabriela Mistral,cuja escolha deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: o italiano Gabriele D'Annunzio e o provençal Frédéric Mistral.

Em 1922 é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país. O Prêmio Nobel transformou-a em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em Hempstead, estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A notoriedade a obrigou a abandonar o ensino para desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual e movida por um profundo sentimento religioso, a tragédia do suicídio do noivo (1907) marcou toda a sua poesia com um forte sentimento de carinho maternal, principalmente nos seus poemas em relação às crianças. Em sua obra aparecem como temas recorrentes: o amor pelos humildes, um interesse mais amplo por toda a humanidade.

Entre suas mais significativas obras podemos destacar:
Sonetos de la Muerte, 1914
Desolación, 1922
Lecturas para Mujeres, 1923
Ternura, 1924
Nubes Blancas y Breve Descripción de Chile, 1934
Tala, 1938
Antología, 1941
Lagar, 1954
Recados Contando a Chile, 1957
Poema de Chile, 1967

Alguns de seus poemas mais conhecidos são:
Piececitos de Niño
Balada
Todas íbamos a ser Reinas
La Oración de la Maestra
El Ángel Guardián
Decálogo del Artista
La Flor del Aire
Comer, Comer
Yo e tú

Fonte: Wikipedia




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tristeza






Trecho do livro "O Céu Está em Todo Lugar" - de Jandy Nelson



A tristeza é uma casa
Em que as cadeiras
Se esqueceram de como nos segurar,
Os espelhos, de como nos refletir,
As paredes, de como nos conter.
A tristeza é uma casa que desaparece
Cada vez que alguém bate à porta,
Uma casa que se vai com o vento
À menor rajada,
Que se enterra no solo
Enquanto todos estão dormindo.
A tristeza é uma casa
Em que ninguém pode proteger você,
Em que a irmã caçula
Vai envelhecer mais que a mais velha,
Em que as portas
Não deixam mais você entrar
Nem sair.



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Yung e o Tarô - Uma Jornada Arquetípica





Trechos do livro "Yung e o Tarô - Uma Jornada arquetípica," de Sallie Nichols 



A carta 18 - O Diabo: anjo Negro - 

(...) Dir-se-há  que, através das atividades de Satanás, nós, seres humanos, fomos expulsos do Éden da obediência instintual e da natureza animal a fim de podermos cumprir o destino de nossa natureza especificamente humana. E agora, tendo provado do conhecimento do bem e do mal, enfrentamos, para todo o sempre, a responsabilidade da escolha moral. Já não somos capazes, como crianças obedientes, a permanecer seguramente dentro dos limites de um código superposto de ética. estamos, segundo Jean-Paul Sartre, "Condenados a ser livres."
Sem liberdade para escolher, não pode haver moral verdadeira. O fato é que a maioria de nós tem hoje mais escolha livre do que supomos; muitos, porém, ainda inconscientemente aprisionados dentro dos mores culturais, recusam-se a aceitar a responsabilidade da escolha moral. (...) Enquanto nos recusarmos a virar-nos e a enfrentar nossos próprios diabos interiores - seja qual for a forma que possam assumir - não seremos humanos.
(...) De acordo com Baudelaire, que tinha considerável experiência com esse sujeito (o diabo), "O artifício mais hábil do diabo é convencer-nos de que ele não existe."


Carta 10 - O Carro - Leva-nos para casa

"O eu utiliza a psique individual como meio de comunicação. O homem, por assim dizer, é propelido ao longo da estrada para a individualização." - Yung

(...) O Carro parece simbolizar com propriedade o poder transportante da psique. A psique não é um objeto, uma coisa; é um processo. Sua essência é o movimento. Assim como a paisagem externa passa por nós quando viajamos, assim diante do olho interior as imagens se sucedem numa constante fita de cinema. São imagens que sintonizamos quando fechamos os olhos para as coisas externas e subimos no carro para uma viagem interior. Semi-vislumbradas, às vezes totalmente não reconhecidas, tais imagens afeiçoam nossa vida e nossos atos. Contém a semente vital da vida.


Carta 11 -  Justiça - Há alguma?

"O equilíbrio é a base da Grande Obra." - Aforismo alquímico.

(...) Um significado da palavra 'inocente' é ignorante. Só a ignorância se imagina inocente. (...) O simbolismo da Justiça acentua significativamente uma união harmoniosa de forças opostas. Sentada num trono, a grande figura feminina simboliza o poder feminino sobre-humano. No entanto, empunha uma espada e usa um elmo de guerreiro, a denotar que a discriminação e a coragem masculinas estão também envolvidas em seu trabalho.

"Não trago a paz senão a espada." Nessa série do tarô, o herói deixou para sempre a paz bem-aventurada para da inconsciência para assumir o desafio e a responsabilidade que a espada representa. Agora precisa deixar de invectivar os Fados, ou os pais, pelos pecados que cometeram contra ele por mais reais que estes possam ter sido, e assumir o fardo da própria culpa.  Só o néscio se interessa pela culpa dos outros, visto que não lhe é dado mudá-la. Se o herói ainda vê os pais como diabos, responsáveis pelos seus erros e limitações, está tão vinculado a eles como estava quando os supunha seus infalíveis salvadores. Cortar o cordão umbilical significa psicologicamente livrar-se de toda e qualquer dependência infantil, tanto negativa quanto positiva.  (...)


domingo, 26 de maio de 2013

As Realidades - poema Surrealista de Louis Aragon




As Realidades (fábula), de Louis Aragon.

Era uma vez uma realidade
com suas ovelhas de lã real
a filha do rei passou por ali
E as ovelhas baliam que linda que está
A re a re a realidade.
Na noite era uma vez
uma realidade que sofria de insônia
Então chegava a madrinha fada
E realmente levava-a pela mão
a re a re a realidade.

No trono havia uma vez
um velho rei que se aborrecia
e pela noite perdia o seu manto
e por rainha puseram-lhe ao lado
a re a re a realidade

CAUDA: dade dade a reali
dade dade a realidade
A real a real
idade idade dá a reali
ali
a re a realidade
era uma vez a REALIDADE.




Surrealismo


SURREALISMO - Movimento que surge em 1924 com o Manifesto Surrealista de André Breton. Propõe que o homem se liberte da razão, da crítica, da lógica. Adere a filosofia de Sigmund Freud. Expressa o interior humano investigando o inconsciente.

sábado, 25 de maio de 2013

Resposta ao Tempo





Resposta ao Tempo
Nana Caymmi

Autores: Cristovão bastos e Aldir Blanc


Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ah, Vida!...




Frases Sobre a Vida e o Viver






“Alguns homens passam metade de sua vida dizendo o que vão realizar, e, a outra metade explicando porque não realizaram.” (Anônimo)



“Nosso alvo na vida deveria ser não o de ultrapassar os outros, mas ultrapassar a nós mesmos.” (Anônimo)







“O caráter de uma pessoa se mede pela capacidade que ela tem de dizer OBRIGADO!” (Anônimo)





“Nenhum espelho reflete melhor a imagem de um homem do que suas palavra.s” (Anônimo)




“Da primeira vez que me enganares, a culpa será tua; já da segunda vez a culpa será minha”. (Provérbio Árabe)





“Coragem é a arte de ter medo sem que ninguém o perceba.” (Anônimo)





“Podemos dar um barco a uma pessoa, podemos colocar o barco na água, podemos colocar essa pessoa no barco, podemos dar os remos a essa pessoa, mas para o barco andar, só se essa pessoa quiser.” (Sabedoria Chinesa)









“Quando você fala, só pode dizer algo que já conhece. Quando você ouve, pode aprender o que mais alguém sabe.” (Anônimo)






segunda-feira, 20 de maio de 2013

Família





“Família é prato difícil de preparar”

(de “O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.




E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.



Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.



O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. 


Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.


domingo, 19 de maio de 2013

Um Novo Dia






Texto enviado por e-mail pela Fraternidade Francisco de Assis, centro espírita Kardecista localizado em Petrópolis. O autor não é mencionado.

Um Novo Dia



Um novo dia e, com ele, novos desafios. Para alguns, vai ser como todos os
outros, a mesma rotina de sempre, mas, para outros, alguns problemas de
longa data ou que surgirão. Seja como for, precisamos tentar acertar, a
fazer a coisa que, para nós, parece ser a certa. A única coisa que não
podemos nos esquecer é que não estamos aqui para sofrer, mas, sim, para
acertarmos na nossa caminhada, fazermos o possível para que ela seja
tranquila e que todos os problemas que surgem são para ser vencidos. 


Hoje, o
dia está chuvoso e triste. O sol está encoberto, mas sabemos que ele está aí
no mesmo lugar em que sempre esteve e que, a qualquer momento, vai surgir e
iluminar e aquecer novamente. O mesmo acontece com nossa vida, temos alguns
momentos de dor, de sofrimento e de indecisão, mas sabemos que os momentos
de alegria e de felicidade são maiores, bem maiores. Vamos tentar passar por
este dia encoberto da melhor maneira que conseguirmos, tomar decisões, mesmo
que não tenhamos certeza de que são as certas, mas agir para que a
felicidade volte a nossa vida. Tentar afastar do nosso lado, tudo e qualquer
pessoa o que nos faz sofrer.


 Escolher o que fazer com a própria vida é uma
escolha, uma decisão de cada um. Precisamos tentar ser bons, amigos e
perdoar sempre, só não podemos nos deixar humilhar e ser magoados com atos
ou palavras. Somos, todos, filhos de um Deus que nos ama e que só quer o
nosso bem e, para qualquer decisão que tomarmos, precisamos sempre acreditar
que nunca estamos sós e que o caminho certo, mesmo que demore, vai chegar,
mesmo que de voltas e voltas, está aí para que o encontremos. Vamos ser
felizes e tentar caminhar em paz.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Pequeno Príncipe




Trecho de "O Pequeno príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry

(...)
Ele sorriu com tristeza.

Esperei muito tempo. pareceu-me que ele ia se aquecendo de novo, pouco a pouco.
-Meu querido, tu tiveste medo...

É claro que tivera. Mas ele sorriu docemente.

-Terei mais medo ainda esta noite.

O sentimento do irreparável gelou-me de novo. E eu compreendi que não podia suportar a ideia de nunca mais escutar esse riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto.

-Meu bem, meu quero ainda escutar o teu riso...
Mas ele me disse:
-Faz um ano esta noite. Minha estrela se achará justamente em cima do lugar onde caí o ano passado...
-Meu bem, não será um sonho mau essa história de serpente, de encontro marcado, de estrela?
Mas não respondeu à minha pergunta, e disse:
-O que é importante, a gente não vê...
-A gente não vê...
-Será como a flor. Se tua amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas a estrelas estão floridas.
-Todas as estrelas estão floridas.
-Será como a água. Aquela que me deste parecia música, por causa da roldana e da corda... Lembras-te como era boa?
-Lembro-me...
-Tu olharás d enoite as estrelas. Onde eu moro é muito pequeno, para que eu possa te mostrar onde se encontra a minha. É melhor assim. Minha estrela será então qualquer das estrelas. Gostarás de olhar todas elas... Serão todas tuas amigas. E depois, eu vou fazer-te um presente...

Ele riu outra vez.

-Ah! Meu pedacinho de gente, meu amor, como eu gosto de ouvir esse riso!
-Pois ele é o meu presente... será como a água...
-Que queres dizer?
-As pessoas tem estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são os guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém...
-Que queres dizer?
-Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir!

E ele riu mais uma vez.



-E quando te houveres consolado ( a gente sempre se consola) tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa, por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: "Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!" E eles te julgarão maluco. Será uma peça que te prego...
E riu de novo.

-Será como se eu te houvesse dado, em vez de estrelas, montões de guizos que riem...
E riu de novo, mais uma vez. Depois, ficou mais sério:
-Esta noite, tu sabes... não venhas.
-Eu não te deixarei.
-Eu parecerei sofrer... eu parecerei morrer. É assim. Não venhas ver. Não vale a pena...
-Eu não te deixarei.




Mas ele estava preocupado.
-Eu digo isto... também por causa da serpente... É preciso que não te morda. As serpentes são más. Podem morder por gosto.
-Eu não te deixarei.
Mas uma coisa o tranquilizou:
-Elas não tem veneno, é verdade, para uma segunda mordida...

Essa noite, não o vi por-se a caminho. Evadiu-se sem rumor. Quando consegui apanhá-lo, caminhava decidido, a passo rápido. Disse-me apenas:
-Ah! estás aqui...
E ele me tomou pela mão. mas afligiu-se ainda:
-Fizeste mal. Tu sofrerás. Eu parecerei morto e não será verdade.
Eu me calava...




-Tu compreendes. É longe demais. Eu não posso carregar este corpo. É muito pesado.
Eu me calava.
-Mas será como uma velha casca abandonada. Uma casca de árvore não é triste...
Eu me calava.
Perdeu um pouco da coragem. Mas fez ainda um esforço:
-Será bonito, sabes, Eu também olharei as estrelas. Todas as estrelas serão poços com uma roldana enferrujada. Todas as estrelas me darão de ber...
Eu me calava.
-Será tão divertido! Tu terás quinhentos milhões de guizos, eu terei quinhentos milhões de fontes...
E ele se calou também, porque estava chorando...
-É aqui. Deixa-me dar um passo sozinho.




E sentou-se, porque tinha medo.
Disse ainda:
-Tu sabes... minha flor... eu sou responsável por ela! Ela é tão frágil! Tão ingênua! Tem quatro espinhos de nada para defendê-la do mundo...

Eu sentei-me também, pois não podia mais ficar de pé.

Ele disse:
-Pronto... Acabou-se...
Hesitou ainda um pouco, depois ergue-se. Deu um passo. Eu... eu não podia mover-me.

Houve apenas um clarão amarelo perto da sua perna. permaneceu, por um instante, imóvel. Não gritou. Tombou devagarinho como uma árvore tomba. Nem fez sequer barulho, por causa da areia.

(...) Agora já me consolei um pouco. Mas não de todo. Sei que ele voltou ao seu planeta; pois ao raiar do dia, não lhe encontrei o corpo. Não era um corpo tão pesado assim... E gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...



terça-feira, 14 de maio de 2013

Primeiras Impressões





Trechos do livro "A Primeira Impressão é a que Fica" - por Ann Demerais e Valerie White







O Outro Lado do Filtro: Conheça Seus Preconceitos

(...)1- Você parte de uma informação inicial sobre as pessoas - repara na sua linguagem corporal, no que elas falam e na maneira como reagem.
2- Com base nessa informação inicial, você forma uma impressão a respeito delas - faz suposições sobre o que são e como irão se comportar no futuro.
3- Você passa a vê-las através desse filtro. Como acontece com todo mundo, você acredita ser um bom juiz quando se trata de avaliar a personalidade das pessoas. Nos próximos encontros você procura informações que se ajustem à sua primeira impressão e não presta muita atenção ou até ignora atitudes que não se encaixam a ela.



Alguns Erros Comuns 

Todos nós cometemos alguns erros bastante comuns ao filtrarmos informações sobre os outros. Se você tiver consciência desses erros, estará numa posição melhor para minimizá-los.
Cometemos o erro fundamental de generalização quando achamos que um comportamento específico de uma pessoa define toda a sua personalidade, em vez de atribuí-lo a uma situação particular. Para corrigir isso, tente se lembrar de como as situações desempenham papel importante no modo como as pessoas se comportam e se sentem.  Procure na ambientação ou situação em que se encontram um motivo para ter provocado aquela atitude. Se alguém que você conhece no seu trabalho mostra-se distante ou pouco amistoso,  antes de rotulá-lo pense que talvez ele ou ela tenha recebido alguma notícia ruim ou acabado de levar uma bronca do chefe. Se uma pessoa sentada ao seu lado durante o jantar parece meio reservada, antes de definí-la como metida a besta, imagine que ela pode estar preocupada com algo que acabaram de lhe dizer ou que não está se sentindo bem. Você também pode assumir um papel mais ativo e perguntar-lhe como ela vai ou como foi o seu dia - e aí talvez descubra o que está por trás daquele ar pouco amistoso.
(...)




Embora a tendência a rotular os outros seja comum à maioria das pessoas, todos nós temos certas preferências e passamos por determinadas experiências que nos levam a ter preconceitos e percepções peculiares.

(...) Cada vez que seus caminhos se cruzam com os de alguém, você produz um efeito sobre ele ou ela. E também é afetado pelas pessoas que encontra. Você tem o poder de fazer dessa influência uma experiência positiva, negativa ou até mesmo algo capaz de mudar sua vida. É uma escolha sua.


domingo, 12 de maio de 2013

Sobre Mães

Sobre Mães








"Amamos as nossas mães quase sem o saber, e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação." - Guy de Maupassant






"O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho." - Agatha Christie






"O coração de uma mãe é um abismo profundo em cujo fundo você sempre encontra perdão." - Honoré de Balzac





Deus nunca perturba a alegria de seus filhos se não for para lhes preparar uma mais certa e maior." - Alessandro Manzoni










"A Gratidão é uma dívida que os filhos nem sempre aceitam no inventário." - Honoré de balzac



um Poema de Amor

AMO-TE Amo-te quanto em largo, alto e profundo Minh'alma alcança quando, transportada, sente, alongando os olhos ...