sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

VINÍCIUS DE MORAIS




Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...






Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.




O VELHO E A FLOR

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta 
em pétalas de amor.




POEMA DOS OLHOS DA AMADA

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.





segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sobre a traição - Pensamentos






Alguns pensamentos sobre a traição - do site "O Pensador"




"Nenhum homem merece uma confiança ilimitada - na melhor das hipóteses, a sua traição espera uma tentação suficiente."
Henry Mencken





"No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam."
Carlos Drummond de Andrade




"Só o inimigo não trai nunca."
Nelson Rodrigues



"O amor nasce de um olhar, surge como uma ilusão, se mantem com ciumes e morre pela traição."
Paulo Ioba



"Todo aquele que derruba com desonestidade e trai a confiança de um homem de bem, será derrubado, pois o próprio se amaldiçoa com seu veneno, remorso e arrependimento. Tudo há de retornar para ele."
Claudimar Maia





"Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua."
Eleanor Roosevelt





"Ainda que a traição agrade, o traidor é sempre odiado."
Miguel de Cervantes




"A maneira como as pessoas lidam com a traição põe em risco tudo aquilo que nos foi dito quando crianças. A traição é sim uma tragédia."
João Vitor Rocha


"Não dá mais, quando minha esperança nos humanos começa a crescer, mais me decepciono, com falsidade, mentira e traição que há em todos."
Richard Giovanni



"Traiçoeiro é o amor que nasce da carência."
Sérgio Moreal


"Bem mais difícil que perdoar é esquecer. Você pode perdoar uma traição contra você uma amargura e até um assassinato, mas é impossível que consiga extirpar o fato de sua lembrança."
Antônio Augusto João


"Feliz do homem que tem como amigo um cão: nunca será traído"
Luiza Gosuen






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ariel Bar Tzadok - Trechos do livro "Protection From Evil"




Trechos do livro "Protection From Evil", de Ariel Bar Tzadok - editora Amazon.com.br

tradução: Ana Bailune




"A humanidade aguarda um salvador pessoal, um ser humano especial que, com poderes especiais de persuasão, nos mostrará como adquirir grandes conhecimentos. Entretanto, este não é o papel do Messias. A esperança de que alguém mais venha e faça o trabalho de encontrar o caminho para o alto para nós, é puro escapismo. É trabalho e destino de cada indivíduo encontrar os segredos da redenção dentro de si mesmo."




"Os meios certos nas mãos erradas sempre farão com que as coisas certas funcionem da maneira errada."




"Exatamente como o bom procura o mal para modificá-lo, também o mal procura o bom para modificá-lo."




"Todas as coisas na criação tem ligadas a si algo similar a 'tentáculos grudentos' de energia psíquica. Uma vez que você se aproxima ou abraça algo, este algo corresponde ao seu abraço."




"Devemos estar sempre alertas quanto a falsa ideia que diz às pessoas que elas devem mostrar-se sempre felizes, e nunca focar no que é errado ou doloroso. A felicidade e a alegria  é o abraçar da verdade, não importa se ela é boa ou ruim. A felicidade não é como um estado de êxtase fantástico, similar ao de quem está sob o efeito de drogas em que tudo é belo, mesmo quando, na verdade, é feio. Este tipo de pensamento é o proverbial lobo em pele de cordeiro. Esta é a maneira como as forças do mal se infiltram em ensinamentos religiosos, ensinando ao religioso como ser passivo e fraco a fim de prevenir-los de lutar contra as forças psíquicas que os atacam. Seis milhões de judeus morreram na Europa nazista porque durante séculos sua filosofia religiosa ensinou-os a serem passivos e a aceitarem qualquer coisa que lhes ocorresse como sendo a vontade Divina."




"O que importa é o que fazemos, não o que dizemos ou acreditamos. A paixão é poder, e a agressividade pode ser boa. O coração do leão é o caminho que leva a Deus. A submissão da ovelha é o desejo do Mal. O Torah ensina que Deus é um "Guerreiro" e nós somos ensinados a imitar a imagem Divina. Se Deus é um "Guerreiro", como podemos nos justificar por sermos qualquer coisa diferente?"


"A agressividade não significa ferir ou prejudicar o fraco ou o inocente. Os agressores sagrados protegem aqueles que não podem proteger a si mesmos. Os verdadeiros servidores de Deus, aqueles que usam a mecânica da espiritualidade para o serviço do Sagrado e do Paraíso são guerreiros de Deus. Eles são indivíduos humildes e simples, homens e mulheres, que não toleram o prejudicial ataque das forças do mal sobre o fraco e o inocente. Os exércitos do Sagrado não procuram por conflitos, mas se e quando o encaram, não se furtam à sua obrigação.
Quando a batalha começa, o grito é simples: destruir e matar o inimigo; sem acordos, sem entregas e, acima de tudo, sem derrotas."




"Os leões são os reis da selva. As ovelhas são a comida. Ovelhas são para o sacrifício."





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EAGLES - HOTEL CALIFORNIA - LETRA E TRADUÇÃO





On a dark desert highway, cool wind in my hair 
Em uma estrada escura e deserta, vento frio em meus cabelos
Warm smell of colitas, rising up through the air 
Um cheiro morno de maconha erguendo-se no ar
Up ahead in the distance, I saw a shimmering light 
Lá à distância eu vi uma luz bruxuleante 
My head grew heavy and my sight grew dim 
Minha cabeça tornou-se pesada e minha visão tornou-se fraca
I had to stop for the night. 
Eu tive que parar para passar a noite

There she stood in the doorway; 
Lá estava ela à entrada
I heard the mission bell 
Ouvi o sino das missões
And I was thinking to myself 
E eu estava pensando comigo mesmo
'This could be heaven or this could be Hell' 
Isto poderia ser o céu ou poderia ser o paraíso
Then she lit up a candle and she showed me the way 
Então ela acendeu uma vela e mostrou-me o caminho
There were voices down the corridor, 
havia vozes pelo corredor
I thought I heard them say 
Pensei tê-los ouvido dizer

Welcome to the Hotel California 
Bem vindo ao Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place) 
Um lugar adorável, (um lugar adorável)
Such a lovely face. 
Um rosto adorável
Plenty of room at the Hotel California 
Há muitos quartos no Hotel California
Any time of year (any time of year) you can find it here 
A qualquer época do ano você pode me encontrar aqui

Her mind is Tiffany-twisted, she got the Mercedes benz 
A mente dela é corrompida pela Tiffany, ela tem o Mercedes Benz
She got a lot of pretty, pretty boys, that she calls friends 
Ela tem uma porção de meninos lindos, lindos que ela chama de amigos
How they dance in the courtyard, sweet summer sweat 
Como eles dançam no pátio, doce suor de verão
Some dance to remember, some dance to forget 
Alguns dançam para lembrar, outros dançam para esquecer

So I called up the Captain, 
Então eu chamei o capitão
'Please bring me my wine' 
Por favor, traga meu vinho
He said, 'we haven't had that spirit here since nineteen sixty-nine' 
Ele disse, 'Não temos esta bebida aqui desde 1969'
And still those voices are calling from far away, 
E ainda aquelas vozes estão chamando de muito longe
Wake you up in the middle of the night 
acordam você no meio da noite
Just to hear them say" 
Só para ouvi-las dizer

Welcome to the Hotel California 
Bem vindo ao Hotel California
Such a lovely place (such a lovely place) 
Um lugar adorável
Such a lovely face. 
Um rosto adorável
They livin' it up at the Hotel California 
Eles estão vivendo isto no Hotel California
What a nice surprise (what a nice surprise), bring your alibis 
Que boa surpresa (que boa surpresa) tragam seus álibes

Mirrors on the ceiling, 
Espelhos no teto
The pink champagne on ice 
Champanhe rosé no gelo
And she said, 'we are all just prisoners here, of our own device' 
E ela disse, 'Somos todos apenas prisioneiros aqui, por nossa própria conta'
And in the master's chambers, 
E na câmara do senhor
They gathered for the feast 
Eles se reuniram para o banquete
They stab it with their steely knives, 
Eles apunhalam com suas facas de aço
But they just can't kill the beast 
Mas simplesmente não conseguem matar a fera

Last thing I remember, I was 
A última coisa que eu lembro, eu estava
Running for the door 
Correndo para a porta
I had to find the passage back to the place I was before 
Eu tinha que achar a passagem de volta ao lugar onde eu estava antes
'Relax' said the night man, 
'Relaxe,' disse o vigia noturno
'We are programmed to receive. 
'Estamos programados para receber
You can check out any time you like, 
Você pode fazer o check out a qualquer momento
But you can never leave!' 
mas jamais poderá sair!"





O significado desta letra é um mistério, mas muitos acreditam que ela fala sobre o vício nas drogas e do quanto é difícil abandoná-lo: "Você pode fazer o check-out a qualquer momento, mas você jamais conseguirá sair). Também há palavras que fazem alusão ao uso de drogas, como 'captain',que é uma gíria para traficante, e há também a lenda urbana de que as iniciais de Hotel Califórnia significam 'Heroin' e 'cocaine' (heroína e cocaína).




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tarô de Marselha


tarô de Marselha




Sobre os 22 Arcanos Maiores - do livro Tarô-Explorando o Futuro através das Cartas, por Graciela Skilton


I- O Mago - inteligência, poder, sabedoria.

II- A Sacerdotisa - espiritualidade, sabedoria, imaginação.

III- A Imperatriz - Realização, inteligência, espiritualidade.

IV- O Imperador - Individualismo, materialismo, diplomacia.

V- O Papa - poder de vidas anteriores, espiritual e mágico, com o poder de abençoar, curar, experiência, autoridade, pode ser muito bom ou muito ruim.

VI- Os Enamorados ou Os Amantes - Pode ser dual no sexo; indecisão, necessidade de proteção.

VII - O Carro - Triunfo, viagens, definição, vitória, escolha certa do caminho, êxito.

VIII - A Justiça - Espiritual, equilibrado, justo, reto, pode tomar decisões. Emotivo.

IX- O Eremita - Grane experiência interna, sabedoria, busca espiritual, inteligência, solidão, paciência e perseverança.

X- A Roda da Fortuna - As quatro etapas que o homem deve atravessa: falta de equilíbrio, ambição., insegurança, perigo.

XI- A Força - Força espiritual ou emotiva, inteligência, astúcia, vontade, poder de convicção, carta espiritual.


tarô de Marselha


XII- O Enforcado - Alternância de ânimo (depressão/excitação), masoquismo, sofrimento, mudança, martírio.

XIII- A Morte - Mudanças espirituais e físicas, transmutação, renascimento ou morte.

XIV- A Temperança - Moderação, equilíbrio, serenidade, proteção.

XV- O Diabo - Contém os dois sexos - hermafrodita. Aprisiona nos sentimentos negativos. Tem perspicácia e poder.

XVI- A Torre- Negatividade. Carta negativa, destruição, soberba, avareza, ruína total.

XVII- A Estrela - boa carta, mas se houver outras negativas, mau presságio. Fé, esperança, guia espiritual, energia, consagração aos outros ou a Deus.

XVIII- A Lua- Problemas emocionais, opressão,  utopia, carta destrutiva. Coisas ocultas (boas ou ruins), miragem, ilusão.

XIX- O Sol- É a melhor carta do tarô, junto com o Mago. Bom casal, talento, criatividade, amor, consagração, criação, soberba, arrogância, narcisismo.

XX- O Julgamento - Intervenção divina , boa ou ruim, ruptura de casais, empecilhos, morte, evolução, renascimento, concretização espiritual.

XXI- O Mundo - Visionário, transmutação, harmonia, equilíbrio.

XXII ou 0 (zero) - O Louco - Boêmio que não sabe aonde vai, nem de onde vem. Fantasias, aventuras. É espiritual, transcendente.








segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Chico Buarque - As Vitrines





As Vitrines
Chico Buarque





As Vitrines - Chico Buarque

Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão




sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Trechinho de "Fausto" - Goethe





Trechos de "Fausto", obra de Goethe


"Pela turba é que a turba se conquista; cada qual tem seu gosto; o que um refuga, outro vem que o prefere. Assim, dar muito cifra a receita de agradar a todos."





O Gracioso, mas que é posteridade, ou que te importa? Não trate eu de agradar aos com quem vivo, ao cheiro do louvor dos porvindoiros! Quem nos pede folgança é o nosso povo; fartemos-lhe a vontade. É boa gente, e gente que se vê. Na alternativa, entre ausente e presente, este ´é quem ganha. Como lhes há de agradar? Mui facilmente. Quem deseja com gosto ser ouvido há de aos gostos da turba acomodar-se. Quanto mais auditório, mais efeito fará nele o protótipo de gênios, que, dando rédea larga à fantasia, lhe leva a par o sólito cortejo de afetos, de paixões, de luz, de graças... e, para adubo um grão de extravagância."




"O que o homem herda só o pode chamar seu quando o utiliza. haver que nos não presta e simples ônus. Só no uso consiste a propriedade."




"Que ditosa ilusão, supor que ao homem seja dado emergir do mar dos erros! O que é mister saber, ninguém no atinge, e o que se alcança para nada presta."



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

NIETZSCHE




Alguns pensamentos do grande pensador alemão Nietzsche, de seu livro Assim Falou Zaratustra


"Grandes favores não tornam ninguém agradecido, mas apenas vingativo; e mesmo o pequeno benefício, não sendo esquecido, torna-se um verme roedor. Sede tenazes em obter! E distingui ao aceitar! Aconselho isto aos que não tem o que oferecer."


"Criar é a grande emancipação da  dor e do alívio da vida; mas, para o criador existir são necessárias dores e transformações. Sim, criadores, é mister que haja na vossa vida muitas mortes amargas. Sereis assim os defensores e justificadores de tudo o que é perecível."





"Em verdade, tenho feito isto e aquilo pelos que sofrem; mas sempre me pareceu melhor quando aprendia a divertir-me mais. Desde que há homens, o homem tem-se divertido muito pouco: é esse, meus irmãos, o único pecado original. E quando aprendemos melhor a divertir-nos, esquecemo-nos melhor de fazer mal aos outros e de inventar dores. Por isso lavo a mão que auxiliou o que sofre. Por isso ainda agora restrinjo a alma."



"Eu, porém, sou dos que dão: agrada-me dar, como amigo, aos amigos. Colham, todavia, por si sós, o fruto da minha árvore: é menos humilhante para eles."



"Os remorsos impelem a morder."




"O coração ardente e a cabeça fria: quando estas duas coisas se reúnem, nasce o torvelinho, o "Salvador.""




"A vida é uma fonte  de alegria, mas onde quer que a gente vá beber, todas as fontes estão envenenadas."









Das tarântulas: "Olha: esta é a toca da tarântula! Queres vê-la a ela mesma? Está aqui a sua teia; toca-lhe para a veres tremer. Olha: eis ela aqui, sem se fazer rogar. Bem-vinda tarântula! No teu escuro lombo negreja a característica marca triangular, e eu também sei o que há na tua alma. Em tua alma aninha-se a vingança; onde quer que fiques, forma-se uma crosta negra. A vingança levanta na tua alma torvelinhos de vingança. Assim vos falo em parábola a vós que levantais torvelinhos na alma, pregadores da igualdade! Vós outros sois, para mim, tarântulas sedentas de secretas vinganças. Eu, porém, acabarei de revelar os vossos esconderijos, por isso me rio na vossa cara com o meu riso das alturas! por isso despedaço a vossa teia, para que a cólera vos faça sair do vosso antro de mentira e para que a vossa vingança apareça por detrás das vossas palavras de "justiça". Seja o homem salvo da vingança; é esta para mim a ponte da esperança superior, e um arco-íris anuncia grandes tormentas. As tarântulas, todavia, compreendem  doutra forma. "Justamente quando as tempestades da nossa vingança enchem o mundo, é quando nós dizemos que haja justiça." Assim falam elas entre si. "Queremos exercer nossa vingança e lançar nossos ultrajes sobre todos os que não são semelhantes a nós outras." Isso juram a si mesmas as tarântulas. E acrescentam:
"Vontade de igualdade, isto será daqui por diante o nome da virtude, e queremos erguer o grito contra tudo o que é poderoso!" Sacerdotes da igualdade: a tirânica loucura da vossa impotência reclama em brados a "igualdade," por detrás das palavras de virtudes esconde-se a vossa mais secreta concupiscência de tiranos! Vaidade acre, inveja contida - talvez a vaidade e a inveja de nossos pais - de vós saem essas chamas e essas loucuras  de vingança. O que o pai calou, fala o filho, e muitas vezes vi revelado no filho o segredo do pai. Parecem-se com os extáticos; não é, porém, o coração que os extasia, mas a vingança. E se tornam frios e sutis, não é por agudeza, mas por inveja.





 Também levam os zelos à senda dos pensadores; é este o sinal da sua emulação; sempre vão tão longe, tão longe, que afinal o seu cansaço tem sempre que adormecer até o meio da neve. Todos os seus lamentos tem acentos de vingança. Todos os seus elogios ocultam malefícios, e para eles serem juízes é a suprema felicidade. Eis aqui, todavia, o conselho que vos dou, meus amigos: desconfiai de todos os que sentem poderosamente o instinto de castigar! São pessoas de má raça e de má casta; por eles assomam o polícia e o verdugo. Desconfiai de todos os que falam muito da sua justiça! Não é só mel o que falta às suas almas. E caso chamem a si mesmos "os bons e os justos" não esqueçais que , agora, para serem fariseus só lhes falta... o poder. Meus amigos, não quero que se me misture e se me confunda. Há quem pregue a minha doutrina da vida, mas são a um tempo pregadores da igualdade e tarântulas. estas aranhas venenosas falam a favor da vida, apesar e estarem acaçapadas nas suas cavernas e afastadas da vida: porque assim querem prejudicar. Querem prejudicar os que tem agora o poder; porque entre estes é ainda a coisa mais familiar a prática da morte. A ser doutro modo, doutro modo pregariam as tarântulas: porque noutro tempo foram elas precisamente as que melhor souberam caluniar o mundo e queimar hereges. Com estes pregadores da igualdade é que eu não quero ser misturado  nem confundido. Porque a justiça me fala assim: "Os homens não são iguais." Não devem tampouco chegar a sê-lo. Que seria, pois, o meu amor ao Super-homem, se eu falasse de outro modo? Se fôssemos todos iguais, não haveria nem gênios nem néscios - igualdade de direitos não é o mesmo que igualdade de potencialidades.








Por mil pontes e por mil caminhos se devem precipitar para o porvir, e sempre haverá que colocar entre eles mais guerras, e desigualdades: assim me faz falar o meu grande amor! Devem-se tornar inventores de imagens e de fantasmas em suas inimizades, e com as suas imagens e os seus fantasmas devem travar entre si o maios combate. Bom e mau, rico e pobre, alto e baixo, todos os nomes de valores devem ser armas e símbolos bélicos, em sinal de que a vida sempre se há de superar novamente a si mesma. Ela, a própria vida, quer elevar-se às alturas com pilares e grades: quer escrutar os longínquos horizontes e penetrar com os seus olhares as supremas belezas: para isso necessita as alturas. por conseguinte necessita alturas, necessita degraus e dos que se elevam! A vida quer elevar-se e superar-se a si mesma. E vede, meus amigos! Aqui, onde está a caverna da tarântula, elevam-se as ruínas de um templo antigo: olhai com os olhos iluminados. O que aqui em outros dias elevou na pedra os seus pensamentos para as alturas, esse deve ter conhecido o segredo da vida toda, como o mais sábio. Haja até na beleza luta e desigualdade e guerra pelo poder e pela supremacia; isto nos ensina ele aqui no símbolo mais luminoso. Assim como aqui abóbadas e arcos travam corpo a corpo um divino combate, e assim como luz e sombra pugnam entre si em divina competência, assim fortes e nobres, sejamos nós também inimigos, meus amigos! Pugnemos divinamente uns contra os outros! Desventura! Também me picou a tarântula, minha antiga inimiga! Divinamente firme e bela picou-me no dedo! "Há de haver castigo e justiça - pensa a tarântula - não é em vão que canta aqui o hino em honra da inimizade!" Sim; está vingada! Pobre de mim; vai minha alma girar como um turbilhão de vingança! Mas, para ela não girar, meus amigos, atai-me fortemente a esta coluna. Antes quero ser um estilista do que um turbilhão de vingança! Zaratustra não é um turbilhão nem uma tromba, e se é bailarino, não é bailarino de tarantela!" Assim falou Zaratustra.






sábado, 4 de janeiro de 2014

FHC - "ASSIM NÃO PODE! ASSIM NÃO DÁ..."




Adoro pessoas diretas, e sempre admirei Fernando Henrique Cardoso por esta qualidade, e também pela sua inteligência. Vai, finalmente, minha pequena homenagem a ele. Posto aqui alguns de seus pensamentos.



"Chega dessa república do nhem-nhem-nhem."



"Nem o presidente nem os ministros são acrobatas de circo para fazer piruetas, receber aplausos e desaparecer nos bastidores."





"Os brasileiros são caipiras, desconhecem o outro lado, e, quando conhecem, encantam-se."





"A angústia é parte da condição humana. Não se pode deixar que a angústia da morte nos paralise. A resposta está no convívio com os outros. Não se vive sem amizade, sem amor, sem adversidade."




"Ser realista implica também reconhecer o inexplicável. O que surge. O de repente. É preciso saber se adaptar a isso."




"Finalmente fez-se justiça no caso do mensalão. Escrevo sem júbilo: é triste ver na cadeia gente que em outras épocas lutou com desprendimento. Estão presos ao lado de outros que se dedicaram a encher os bolsos ou a pagar suas campanhas à custa do dinheiro público. Mais melancólico ainda é ver pessoas que outrora se jogavam por ideais – mesmo que controversos – erguerem os punhos como se vivessem uma situação revolucionária, no mesmo instante em que juram fidelidade à Constituição.
Onde está a Revolução? Gesticulam como se fossem Lenines que receberam dinheiro sujo, mas usaram – no para construir a “nova sociedade”. Nada disso: apenas ajudaram a cimentar um bloco de forças que vive da mercantilização da política e do uso do Estado para perpetuar-se no poder. De pouco serve a encenação farsesca, a não ser para confortar quem a faz e enganar a seus seguidores mais crédulos.
Basta de tanto engodo. A condenação pelos crimes do mensalão se deu em plena vigência do Estado de Direito, em um momento no qual o Executivo é exercido pelo Partido dos Trabalhadores, cujo governo indicou a maioria dos ministros do Supremo. Não houve desrespeito às garantias legais dos réus e ao devido processo legal.
Então por que a encenação? O significado é claro: eleições à vista. É preciso mentir, autoenganar-se e repetir o mantra. Não por acaso a direção do PT amplifica a encenação e Lula diz que a melhor resposta à condenação dos mensaleiros é reeleger Dilma Rousseff... Tem sido sempre assim, desde a apropriação das políticas de proteção social até a ideia esdrúxula de que a estabilização da economia se deveu ao governo do PT. Esqueceram as palavras iradas que disseram contra o que hoje gabam e as múltiplas ações que moveram no Supremo para derrubar as medidas saneadoras. O que conta é a manutenção do poder.
Em toada semelhante o mago do ilusionismo fez coro. Aliás, neste caso, quem sabe, um lapso verbal expressou sinceridade: estamos juntos, disse Lula. Assumiu meio de raspão sua fatia de responsabilidade, ao menos em relação a companheiros a quem deve muito. E ao país, o que dizer?
Reitero, escrevo tudo isso com melancolia, não só porque não me apraz ver gente na cadeia, embora reconheça a legalidade e a necessidade da decisão, mas principalmente porque tanto as ações que levaram a tão infeliz desfecho como a cortina de mentiras que alimenta a aura de heroicidade fazem parte de amplo processo de alienação que envolve a sociedade brasileira.
São muitos os responsáveis por ela, não só os petistas. Poucos têm tido a compreensão do alcance destruidor dos procedimentos que permitem reproduzir o bloco de poder hegemônico; são menos numerosos ainda os que têm tido a coragem de gritar contra essas práticas.
É enorme o arco de alianças políticas no Congresso cujos membros se beneficiam por pertencer à “base aliada” de apoio ao governo. Calam-se diante do mensalão e demais transgressões, como se o “hegemonismo petista” que os mantém seja compatível com a democracia.
Que dizer então da parte da elite empresarial que se serve dos empréstimos públicos e emudece diante dos malfeitos do petismo e de seus acólitos? Ou da outrora combativa liderança sindical, hoje acomodada nas benesses do poder?
Nada há de novo no que escrevo. Muitos sabem que o rei está nu e poucos bradam. Daí a descrença sobre a elite política reinante na opinião pública mais esclarecida. Quando alguém dá o nome aos bois, como, no caso, o ministro Joaquim Barbosa, que estruturou o processo e desnudou a corrupção, teme-se que ao deixar a presidência do STF a onda moralizante dê marcha a ré. É evidente, pois, a descrença nas instituições. A tal ponto que se crê mais nas pessoas, sem perceber que por esse caminho voltaremos aos salvadores da pátria. São sinais alarmantes.
Os seguidores do lulopetismo, por serem crédulos, talvez sejam menos responsáveis pela situação a que chegamos do que os cínicos, os medrosos, os oportunistas, as elites interesseiras que fingem não ver o que está à vista de todos. Que dizer então das práticas políticas? Não dá mais! Estamos a ver as manobras preparatórias para mais uma campanha eleitoral sob o signo do embuste.
A candidata oficial, pela posição que ocupa, tem cada ato multiplicado pelos meios de comunicação. Como o exercício do poder se confundiu, na prática, com a campanha eleitoral, entramos já em período de disputa. Disputa desigual, na qual só um lado fala e as oposições, mesmo que berrem, não encontram eco. E, sejamos francos: estamos berrando pouco.
É preciso dizer com coragem, simplicidade e de modo direto, como fizeram alguns ministros do Supremo, que a democracia não se compagina com a corrupção nem com as distorções que levam ao favorecimento dos amigos. Não estamos diante de um quadro eleitoral normal. A hegemonia de um partido que não consegue se deslindar de crenças salvacionistas e autoritárias, o acovardamento de outros e a impotência das oposições estão permitindo a montagem de um sistema de poder que, se duradouro, acarretará riscos de regressão irreversível.
Escudado nos cofres públicos, o governo do PT abusa do crédito fácil que agrada não só os consumidores, mas em volume muito maior, os audaciosos que montam suas estratégias empresariais nas facilidades dadas aos amigos do rei. A infiltração dos órgãos de Estado pela militância ávida e por oportunistas que querem se beneficiar do Estado distorce as práticas republicanas.
Tudo isso é arqui-sabido. Falta dar um basta aos desmandos, processo que, numa democracia, só tem um caminho: as urnas. É preciso desfazer na consciência popular, com sinceridade e clareza, o manto de ilusões com que o lulo-petismo vendeu seu peixe. Com a palavra as oposições e quem mais tenha consciência dos perigos que corremos."





Fernando Henrique Cardoso





FONTE: O PENSADOR

BILHETE

Um poema de Mário Quintana: Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passar...