sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cora Coralina - Estas Mãos





ESTAS MÃOS. 


Poema de Cora Coralina, de seu livro "Meu Livro de Cordel"



Olha para estas mãos de mulher roceira, 
esforçadas mãos cavouqueiras. 
Pesadas, de falanges curtas, sem trato e sem carinho. 
Ossudas e grosseiras. 
Mãos que jamais calçaram luvas. 
Nunca para elas o brilho dos anéis. 
Minha pequenina aliança.
 Um dia, o chamado heróico emocionante: 
- Dei Ouro para o Bem de São Paulo. 
Mãos que varreram e cozinharam.
 Lavaram e estenderam roupas nos varais.
 Pouparam e remendaram. 
Mãos domésticas e remendonas.
 Íntimas da economia, do arroz e do feijão da sua casa.
 Do tacho de cobre.
 Da panela de barro.
 Da acha de lenha. 
Da cinza da fornalha.
 Que encestavam o velho barreleiro e faziam sabão.
 Minhas mãos doceiras... jamais ociosas.
 Fecundas. Imensas e ocupadas.
 Mãos laboriosas. 
Abertas sempre para dar, ajudar,unir e abençoar. 
Mãos de semeador... 
Afeitas à sementeira do trabalho
 Minhas mãos raízes procurando a terra.
 Semeando sempre.
 Jamais para elas os júbilos da colheita.
 Mãos tenazes e obtusas,
Feridas na remoção de pedras e tropeços, quebrando as arestas da vida 
Mãos alavancas na escava de construções inconclusas.
Mãos pequenas e curtas de mulher que nunca encontrou nada na vida.
 Caminheira de uma longa estrada.
 Sempre a caminhar. 
Sozinha a procurar o ângulo prometido, a pedra rejeitada. 


Poema enviado por Celso Panza. Obrigada!



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pensamentos Alheios






"Os leões são os reis da floresta. As ovelhas são a comida. As ovelhas são o sacrifício." - Ariel Bar Tzadok


"Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!" - Arthur Schopenhauer


"A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come."- Francisco Quevedo


"O mal que fazemos não atrai contra nós tanta perseguição e tanto ódio como as nossas boas qualidades." - François de La Rochefocauld


"Falar mal dos outros agrada tanto ás pessoas que é muito difícil deixar de condenar um homem para comprazer os nossos interlocutores." - Leon Tolstoi


"O ódio é uma tendência a aproveitar todas as ocasiões para prejudicar aos demais." - Plutarco


"A cólera é um ódio aberto e passageiro - o ódio uma cólera oculta e constante." - Charles Pinot Duclos



"Não honres com o teu ódio quem não poderias honrar com o teu amor." - Friedrich Hebbel



"Obviamente, desde que somos seres humanos, eternamente existirão algumas espécies de conflitos, rivalidades ou mesmo divergências de opiniões. Entretanto, terminantemente, jamais haver a necessidade de nutrirem-se de ódio ou mesmo matarem-se uns aos outros."- Daisaku Ikeda


"Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar." Octavio Paz





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sobre a Felicidade






"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."
Friedrich Nietzsche


"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho."
Mahatma Gandhi


"Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria."
Khalil Gibran


"Um homem pode viver feliz com qualquer mulher desde que não a ame."
Oscar Wilde



"Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo."
Sócrates




"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflete o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste."
Fernando Pessoa




"A felicidade só cria recordações."
Honoré de Balzac




"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."
Sigmund Freud


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

FLORBELA

Florbela Espanca | Docilda



Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...


Aos olhos dele

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

... Fel: Ficção e performance no Diário íntimo de Florbela Espanca


Eu ...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

The Long and Winding Road - The Beatles - letra e tradução






The Long and Winding Road - A Estrada longa e Tortuosa
The Beatles

The long and winding road that leads to your door 
(A estrada longa e tortuosa que conduz à sua porta)
Will never disappear 
(nunca desaparecerá)
I've seen that road before 
(Eu vi esta estrada antes)
it always leads me here 
(Ela sempre me conduz até aqui)
Leads me to your door 
(Me conduz à sua porta)

The wild and windy night that the rain washed away 
(A noite selvagem e tempestuosa que a chuva levou embora)
Has left a pool of tears crying for the day 
(Deixou uma poça de lágrimas a chorar pelo dia)
Why leave me standing here, let me know the way 
(por que deixar-me de pé aqui, permita-me conhecer o caminho)
Many times I've been alone and many times I've cried 
(Muitas vezes estive só, e muitas vezes eu chorei)
Anyway you'll never know the many ways I've tried 
(De qualquer modo, você nunca conhecerá as muitas estradas que experimentei)
And still they lead me back to the long and winding road 
(E elas ainda me trazem de volta à longa e tortuosa estrada)
You left me standing here a long, long time ago 
(Você me deixou de pé aqui há muito, muito tempo)
Don't leave me waiting here, lead me to you door 
(Não me deixe esperando aqui, leve-me até sua porta)

But still they lead me back to the long and winding road 
(mas elas ainda me trazem de volta à longa e tortuosa estrada)
You left me standing here a long, long time ago 
(Você me deixou de pé aqui há muito, muito tempo)
Don't keep me waiting here (Don't keep me wait), lead me to you door
(Não me mantenha esperando aqui, conduza-me à sua porta) 
Yeah, yeah, yeah, yeah


Talk of dividing the nation. What we need now is more lists. I noted on Twitter that the New Zealand parliament had broken into song after voting for same

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mensagem da Fraternidade Francisco de Assis - Petrópolis - RJ







Bom dia!

Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas
oportunidades de aprendizado nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena
chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar.
São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem
nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e
denotam falta de confiança em Deus.
A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de
perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos momentos de dor e
sofrimento.
Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos
aguardar.



Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem
outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.
Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em
frente com ânimo e disposição.
O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste a força das horas que a
tudo modifica.
A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem
de voltar-nos para ela.
Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor
agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da
nossa vida.
Pense nisso!



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Zé Ramalho




Chão de Giz


Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há, meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas, amiúde...
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de
vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de boy, that's over baby! Freud
explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica por que o sexo é assunto popular.

No mais
Estou indo embora
No mais
Estou indo embora
No mais...




Garoto de Aluguel

Baby !
Dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dê-me seu relógio que eu quero saber
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Quanto vale um homem para amar você
Minha profissão é suja e vulgar
Quero pagamento para me deitar
Junto com você estrangular meu riso
Dê-me seu amor que dele não preciso

Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada aumenta a culpa de um marginal

Baby !
Nossa relação acaba-se assim
Como um caramelo que chegasse ao fim
Na boca vermelha de uma dama louca
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Deixe a porta aberta quando for saindo
Você vai chorando e eu fico sorrindo
Conte pras amigas que tudo foi mal
Nada aumenta a culpa de um marginal





Admirável Gado Novo

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer
Êh, oô, vida de gado
Povo marcado
Êh, povo feliz!

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou!
Êh, oô, vida de gado
Povo marcado
Êh, povo feliz!

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível,
Não voam, nem se pode flutuar
Êh, oô, vida de gado
Povo marcado
Êh, povo feliz!





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Gabriel Chalita






Pensamentos e um texto de Gabriel Chalita


"Ter coragem é, sobretudo, ter certeza de que a fascinante aventura da vida não perderá os seus mais atrevidos e sedutores momentos".


"Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com a colheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes."


"O universo da procura é mais rico que o da descoberta."



"Razão sem emoção, alma sem corpo e dever sem prazer são maniqueísmos que prejudicam o equilíbrio das coisas."


"Ora a chuva poetiza a vida, ora o sol,
as vezes brincam de chegar juntos. As vezes 
trazem o arco-íris para completar o espetáculo.
e vão embora. E ficam em nós".


"Não há poesia sem dor. A vida nasce da dor. O amor mais amado surge depois de uma dor prolongada. Amor de mãe!"





CECÍLIA,SILÊNCIO,SOLIDÃO E PERENIDADE

Tu o disseste, Cecília. "Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Tu o disseste, Cecília: "Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade."
Tu o disseste, Cecília. "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno."
Pariu poemas. E pariu uma constelação. As três Marias, suas filhas com o pintor português Fernando Correia Dias: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda. 
Tu o disseste, Paulo Rónai. "Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo... A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea."
Tu o disseste, num improviso, Manuel Bandeira: "Cecília, és tão forte e tão frágil. Como a onda ao termo da luta. Mas a onda é água que afoga: tu, não, és enxuta."
Tu o disseste, Mário Faustino, voz dissidente. "D. Cecília publica demais. O melhor que se poderia fazer em prol de sua glória seria preservar o "Romanceiro" completo, fazer uma antologia de seus cinqüenta grandes poemas ("Mar absoluto" seria o maior contribuinte) e queimar o resto. Mas não nos esqueçamos de perguntar; quantos poetas em nossa língua já assinaram cinqüenta grandes poemas? A outra pergunta que nos ocorre: por que D. Cecília publica tanto?"
Mas a academia desmentiu a dissidência. Ainda que in memoriam. Entregou a ela o Prêmio Machado de Assis de 1965, pelo conjunto da obra. Foi a primeira mulher a receber essa láurea da Academia Brasileira de Letras. E foi assim que, depois da morte, deixou de ser sozinha.
Mas outro ramo da intelectualidade lhe prestou homenagem: a principal sala de concertos do Rio de Janeiro, no Largo da Lapa, recebeu a denominação de "Sala Cecília Meireles". E foi assim que, depois da morte, deixou de ser silêncio.


Cecília Meirelles é estrela de nossa poesia, perene como esta confissão: 

Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.







Atualmente Chalita é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU e Membro de Conselho Editorial da Revista Profissão Mestre. É membro da União Brasileira de Escritores, da Academia Paulista de Letras e recentemente foi eleito por unanimidade na Academia Brasileira de Educação.

Apresenta, através do Sistema Canção Nova de Comunicação, o programa Papo Aberto, pelo rádio e pela televisão. (Wikipedia)



SARTRE

Alguns pensamentos de Jean-Paul Sartre. "Falamos na nossa própria língua e escrevemos numa língua estrangeir...