terça-feira, 27 de maio de 2014

EGOÍSMO







Egoísmo - trecho do livro "Quem me Roubou de Mim," de Padre Fábio de Melo


EGOÍSMO

“Sinto falta de você. Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e que me falta. Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam. Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é. Estranho jeito de carecer, de parecer amor. Hoje, eu resolvi assumir as necessidades que insisto em manter veladas. Acessei o baú de minhas razões e descobri um motivo para não continuar mentindo. Quero agora lhe confessar o meu não amor, o sentimento que faço parecer ser. Eu não tenho o direito de adentrar o seu território com o objetivo de lhe roubar a escritura. Amor só vale a pena se for para ampliar o que já temos. Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver. Hoje quero lhe confessar meu egoísmo. Quem sabe assim eu possa ainda por um instante amar você de verdade. Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais, se meu querer bem é inoportuno e em hora errada. É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino, meu segredo desconcertante: Ao dizer que sinto falta de você eu sinto falta é de mim mesmo.”




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Rubem Alves, de Novo, e Sempre!




Pensamentos do escritor e educador Rubem Alves - de quem sou fã incondicional, e de "carteirinha" - do livro "Paisagens da Alma"





Numa clínica psicológica estava escrito: "Distúrbios da aprendizagem." Ainda não vi em clínica alguma anunciado "Distúrbios da Ensinagem."




É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome do assombro da vida."


Não. Não escrevo o que sou. Escrevo o que não sou. Sou pedra. Escrevo pássaros. Sou tristeza. Escrevo alegria. A poesia é sempre o reverso das coisas.


Enganamo-nos quando confundimos as pessoas com seus atos. Ninguém é idêntico àquilo que faz. É só isso que nos permite odiar o pecado e amar o pecador.


Os portugueses se horrorizaram ao saber que os índios matavam as pessoas e as comiam. Os índios se horrorizaram ao saber  que os portugueses matavam as pessoas e não as comiam. Tudo depende do ponto de vista.


Há pessoas que se convertem por causa de uma grande experiência espiritual solitária. Outros não se convertem: apenas se mudam da sua solidão para uma comunidade que os acolha. A experiência de pertencer, de não estar sozinho, é tão gratificante que é capaz de digerir qualquer ideia esquisita. Chupado entre amigos, o limão é doce.



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Magia Aplicada - Dion Fortune




Trechos do livro "magia Aplicada", de Dione Fortune



Tradução: Ana Bailune



"Quando nossas emoções direcionam-se concentradamente em direção a um objeto, nós liberamos uma sutil, mas potente forma de força. Se aquela emoção não for apenas meramente cega, mas formular-se dentro da ideia de realizar algo, e especialmente se esta ideia criar uma imagem mental dramática que se eleve na mente, a força direcionada é transformada em uma forma-pensamento; a imagem mental é animada pela força e torna-se uma realidade no plano astral. Esta forma-pensamento começa a emitir vibrações, e estas vibrações, pelas leis da indução das vibrações simpáticas, tendem a reforçar os sentimentos da pessoa cuja emoção fez surgi-las, e induz sentimentos similares em outros que estejam presentes cuja atenção é direcionada ao mesmo objeto, mesmo se eles tiverem sido, até aquele momento, observadores desinteressados."



"Nada pode desdobrar-se que não tenha sido previamente dobrado. Deve haver uma fase da existência que precedeu o desenvolvimento da evolução, pois evolução não é a contínua criação de algo que veio do nada, mas uma manifestação de latências."


"Um homem não é modificado pela morte. A personalidade permanece, é apenas o corpo que vai embora."



"A morte é apenas um dos processos da vida, e os mortos estão muito vivos e bastante normais."



"Quando as forças cósmicas são invocadas, elas vem aos pares, ação e reação sendo iguais e opostas."



"Organizações místicas não são feitas para durar; elas raramente sobrevivem à geração que teve contato pessoal com seu fundador. Assim que o impulso original perde seu momento, a senilidade se estabelece, e elas tem que renascer entre seus grandes opositores."



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ayrton Senna




Alguns pensamentos do grande Ayrton Senna






"No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz."


"O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação."


"Uma maneira de preservar sua própria imagem é não deixar que o mundo invada sua casa. Foi um modo que encontrei de preservar ao máximo meus valores."


"Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência."


"Há um grande desejo em mim de sempre melhorar.
Melhorar. É o que me faz feliz.
E sempre que sinto que estou aprendendo menos, que a curva de aprendizado está nivelando, ou seja o que for, então não fico muito contente.
E isso se aplica não só profissionalmente, como piloto, mas como pessoa."


“Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar.”


"Na adversidade, uns desistem, enquanto outros batem recordes."


"Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença."


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Calma na Alma








Calma na Alma - um lindo Rap de Conecrew Diretoria

'Nossa Senhora das coisas impossíveis que procuramos em vão...
Vem... soleníssima, soleníssima e cheia de uma vontade oculta de soluçar
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega
E só vemos até onde chega o nosso olhar.''

(Refrão)
Eu já sei porque não consigo dormir há dias
Há algo no meu pensamento lento que me paralisa
Não aguento viver preso a dogma e doutrina
Eu quero a calma na alma pra poder viver a vida

(Rany Money)
Minha vida é ignorada, dilacerada, não vale uma prata
Na pátria que ataca e me axarca, a disputa aqui nunca se aparta
Eu viro caça na praça a bad não passa a toa, eles cometem desgraça
Os que são verdadeiros se ligam e me sacam e nunca se envolvem na falha que é a farsa
A sua falta até pode ser grave, mas jamais romperá com meu ciclo
Pois não me prendo somente a laços de sangue para formar os meus vínculos
O que viso não é só meu vicio, também não me julgue pelas roupas que visto
Círculos de alianças na minhas andanças eu valorizo os que fecham comigo
O respeito aos valores antigos é o que firma a família na fita
Eu dou a finta fugindo da mira na guerrilha, a família é a guerrida
Que minha sina sirva e redija para que os outros a dor não sinta
Os versos que a gente recita é para que nunca se abalem com peso da cinta
Porque sempre vão ter vários pra tentar te humilhar
Não abaixe a cabeça, levanta esse olhar
Vamo tá junto mermo se for a 1 milhão de milhas
Pois não seria ninguém sem essa família

(Refrão)
Eu já sei porque não consigo dormir há dias
Há algo no meu pensamento lento que me paralisa
Não aguento viver preso a dogma e doutrina
Eu quero a calma na alma pra poder viver a vida
(Cert)
Apologia da vida bendita vivida de forma alternativa
Na mira da rima, polícia que irrita, milícia que atira, nazista, fascista
Playboy bombado que grita, me tira, e a canela voa na tua narina
Sou cria da pista, o sentido da vida é constituirmos uma família
Não me limito a laços genealógicos, minha parceria e família se encontra na esquina
Sem intriga, dinheiro fascina só os de cabeça perdida na vida
Não sou homicida, mas cai meia-dúzia dos seus antes de tombar um dos meus
Guiado por Deus, iluminado e protegido pela força de Zeus
Pulo do gato, ainda cato os mofados, lisérgico pasto, regado e azulado
Jogue a cabeça para cima e sua mão para baixo, manobras de skate eu encaixo... o fino não acho
Os tiros perdidos dos canas de assalto, ou esquivo na pista ou me rasgo
Com as rimas que enquadram o compasso, Mulher Maravilha é bem vinda de quatro
No quadro que pinto Van Gogh tá armado, se o mar tá storm então joga pra baixo
O meu fardo cansado eu arrasto, o seu dinheiro sujo... não aceito, não gasto
Porco fardado pra mim é otário que eu dava cascudo no colégio primário
Rap na pauta, a calma na alma, rastafari... revolucionário

(Refrão)
Eu já sei porque não consigo dormir há dias
Há algo no meu pensamento lento que me paralisa
Não aguento viver preso a dogma e doutrina
Eu quero a calma na alma pra poder viver a vida

(Maomé)
Vida sofrida, alma furtada banida e detida
Em contra-partida, sinto a cardio batida
Mantendo a pureza retida
Vê na retina, quebra a rotina, idéia cretina...
Tem inicio e não tem fim...
Santo Pai, o que será que a vida reservou pra mim?
Ser um músico importante ou um vendedor de amendoim?
Eu vou ter um relógio caro ou um camelô vagabundim?
Deu risada do magrinho, desmerece alguém que sonha
Eu sou rebelde, desbocado... revoltado e sem vergonha
Eu vivi rebelião, guerra de religião, eu vi Cristo perdoar Adolf Hittler no caixão
Vi ódio e destruição, optei pela união, vi o Diabo corromper a fé de um irmão cristão
Assisti Roma ir ao chão, assisti Pelé jogar
Vi Saddan sendo enforcado, eu vi a bomba nuclear
O homem vive se matando, pela Terra eu vou rezar
Deus esteja do meu lado quando o mundo se acabar
Eu vou rezar...

(Ari)
Eu vou rezar pra minha alma, eu vou rezar
Eu vou rezar pra minha pele, eu vou rezar
Eu vou rezar pela humanidade, eu vou rezar
Eu vou rezar para o meu Senhor, eu vou rezar





domingo, 4 de maio de 2014

A Epopeia do Macaco - Nossa Herança Animal




A Epopeia do Macaco - uma antiga fábula Chinesa contada por Lin Yutang


(...) Mas se este critério biológico nos ajuda a apreciar a beleza e o ritmo da vida, também nos mostra nossas ridículas limitações. Apresentando-nos um quadro mais correto do que somos como animais, permite-nos que nos compreendamos melhor, e melhor compreendamos o progresso dos assuntos humanos. Uma simpatia mais generosa, ou ainda um cinismo tolerante, advêm com uma compreensão mais verdadeira e mais funda da natureza humana, que tem suas raízes na nossa ascendência animal. Se recordarmos amavelmente que somos os filhos do Homem de Neanderthal ou do Homem de Pequim, e nos remontarmos ainda mais aos antropoides, alcançamos eventualmente a capacidade de rir de nossos pecados e limitações, assim como para admirar a nossa habilidade de macacos, capacidade esta que é o que chamamos de senso da comédia humana. Esta é a mais bela ideia sugerida pelo ensaio de Clarence Day, “This Simian World.” Ao ler este ensaio de Day podemos esquecer todos os nossos próximos, os censores, chefes de publicidade, redatores fascistas, radioanunciadores nazis, senadores e legisladores, ditadores, peritos econômicos, delegados a conferências econômicas e todos os demais intrometidos que tratam de imiscuir-se na vida de outras pessoas. Podemos perdoá-los, porque começamos a compreendê-los.
Neste sentido, chego a apreciar cada vez mais a sabedoria e a visão da grande epopeia chinesa dos macacos, Hsiyuchi, através da qual pode ser melhor compreendido o progresso da história humana.



O macaco Wu Kung representa o intelecto humano, o Porco Pachiech representa nossa natureza inferior, o Monge Sand representa o senso comum e o Abade Hsüantsang representa a sabedoria e o Santo Caminho. O Abade, protegido por esta curiosa escolta, havia empreendido uma viagem da China à Índia para procurar livros sagrados budistas. A história do progresso humano é na essência como a peregrinação dessa variegada companhia de criaturas sumamente imperfeitas que caem continuamente em perigo e em cômicas situações devido às suas tolices e travessuras. Quantas vezes tem o Abade de corrigir e castigar o travesso Macaco e o Porco sensual, conduzidos sempre, por suas tristemente imperfeitas e por suas baixas paixões, a toda espécie de enredos! As manifestações de fragilidade humana, de furor, vingança, impulsividade, sensualidade, de incapacidade de perdão, e, sobretudo, a vaidade e falta de humanidade aparecem sempre através desta peregrinação da humanidade para a santidade. O aumento da destruição vai a par com o aumento da habilidade humana, porque, como o Macaco com poderes mágicos, podemos andar hoje pelas nuvens e virar cambalhotas no ar (em termos modernos quer dizer looping-the-loop), tirar pelos de macaco de nossas pernas simiescas e transformá-los em macaquinhos, para hostilizar nossos inimigos, bater às próprias portas do céu, arredar para um lado ao Celeste Porteiro e exigir um lugar na companhia dos deuses.


O Macaco era hábil, mas também vaidoso; tinha suficiente mágica de macaco para abrir caminho até o céu, mas não tinha bastante candura e equilíbrio e temperança de espírito para viver pacificamente ali. Demasiado bom quiçá para esta terra e sua existência mortal, não era contudo bastante bom para o céu e a companhia dos imortais. Havia algo de crasso, maligno e rebelde nele, algumas gangas que refinar em seu ouro, e por isso é que, quando entrou no céu, no episódio preliminar, antes de unir-se à partida de peregrinos, causou ali um terrível susto, como um leão selvagem que se escapa das jaulas do circo pelas ruas da cidade. Devido à sua incorrigível diabrura inata, deitou a perder o Banquete Anual oferecido pela Rainha Mãe Ocidental do Céu a todos os deuses, santos e imortais. Furioso por não ter sido convidado, fez-se passar por mensageiro de Deus e enviou o Espírito Descalço, que ia à festa para outra direção, dizendo que haviam mudado o lugar da cerimônia, e então El próprio se transformou na sombra do Espírito Descalço e foi em seu lugar à festa. Muitos outros espíritos e fadas e duendes haviam sido desviados por ele para outros sítios. Ao entrar no pátio, viu que era o primeiro a chegar. Não havia ali ninguém, exceto os serventes, que guardavam as jarras de vinho celestial no corredor.  Transformou-se então em inseto da doença do sono, e picou os serventes até que caíram adormecidos e bebeu as jarras de vinho. Meio ébrio, passou ao salão, e comeu os pêssegos  celestiais que estavam servidos. Quando chegaram os convidados, e viram o banquete estragado, já estava ele fazendo outras façanhas em casa de Lao-tsé, onde procurou engolir as pílulas da imortalidade. Finalmente, ainda disfarçado, partiu do céu, temeroso em parte das consequências de suas proezas alcoólicas, mas sobretudo aborrecido porque não o haviam convidado para a Ceia Anual. Voltou ao Reino dos Macacos, onde era rei, e expôs suas queixas aos seus súditos, e alçou bandeira de rebelião contra o céu, e nela escreveu: “O Grande Sábio, Igual ao Céu.” Houve então grandes combates entre este Macaco e guerreiros celestes, nos quais só foi capturado o Macaco quando a Deusa da Misericórdia o derribou com um raminho de flores atirado das nuvens.


Assim como o Macaco, nós nos rebelamos, e não haverá paz nem humildade em nós, até que sejamos vencidos pela Deusa da Misericórdia, cujas suaves flores arremessadas do céu nos farão cair. E não aprenderemos a lição da verdadeira humildade enquanto a ciência não tiver explorado os limites do universo. Porque, na Epopeia, o Macaco se rebelou ainda mais  depois de sua captura, e perguntou ao Imperador de Jade no céu por que não lhe era dado um título mais alto entre os deuses, e teve de aprender a lição de humildade mediante uma aposta final com Buda, ou o próprio Deus. Apostou que, com seus poderes mágicos, poderia ir até o fim do mundo, e o prêmio era o título de O Grande Sábio, Igual ao Céu, ou a submissão completa em caso de perder. Arremessou-se, pois, no ar, e viajou com a velocidade do relâmpago, através dos continentes, até chegar a uma montanha de cinco picos, que julgou deveria estar tão longe que nenhum mortal ainda ali pusera os pés. A fim de deixar uma prova de que havia chegado ao local, urinou no pé do pico central e, satisfeito com tal façanha, regressou e contou sua viagem a Buda. Abriu então Buda uma das mãos, e pediu-lhe que cheirasse a própria urina na base do dedo médio, e fê-lo compreender que, durante todo esse tempo, ele não havia sequer saído da palma de sua mão. Foi só então que o Macaco adquiriu humildade e, depois de acorrentado a um rochedo durante quinhentos anos, foi libertado pelo Abade e juntou-se a ele em sua peregrinação.

Afinal de contas, este Macaco, que é a imagem de nós próprios, é uma criatura extremamente simpática, apesar de suas vaidades e suas travessuras. Assim deveríamos nós também ser capazes de amar a humanidade, apesar de todas as suas fraquezas e defeitos.








7 comportamentos que o orgulhoso tem, mas não pense que são só sete…

Um texto de Cristiane Cardoso, do blog Fé 7 comportamentos que o orgulhoso tem, mas não pense que são só sete… 1-...