segunda-feira, 8 de maio de 2017

PEMA CHODRON









Trechinho do livro "A Beleza da Vida", por Pema Chodron:


"Outro dia, acordei de manhã preocupada com o bem-estar de um amigo querido. Senti aquilo como uma dor no coração. Quando me levantei e olhei pela janela, vi tanta beleza que aquilo parou na minha mente. Simplesmente fiquei lá, com o coração partido pelo estado do meu amigo, vendo as árvores pesadas com a neve recente, um céu que estava azul-arroxeado e uma leve neblina que cobria o vale, transformando o mundo numa visão da Terra Pura. Bem na hora, um bando de pássaros amarelos pousou na cerca e olhou para mim, aumentando ainda mais o meu assombro.





Percebi então o que significa reter a dor no coração e ao mesmo tempo ser profundamente tocado pelo poder e magia do mundo. A vida não precisa ser de um modo ou de outro. Não precisamos ficar pulando para a frente e para trás. Podemos viver maravilhosamente com o que vier - coração partido e alegria, sucesso e fracasso, instabilidade e mudança.





Desenraizamento, incerteza, insegurança, vulnerabilidade - essas palavras costumam carregar uma conotação negativa. Geralmente trememos esses sentimentos e tentamos nos esquivar deles de qualquer maneira possível. Mas não precisamos evitar o desenraizamento. O mesmo sentimento que achamos tão problemático ao nos abrirmos para ele, pode ser experimentado como um enorme alívio, como libertação de todas as contenções. Pode ser experimentado como uma mente tão imparcial e relaxada que nos sentimos expansivos e contentes. 





Shantideva experimentou-a assim:

Quando real e irreal
Estão ausentes da mente,
Nada resta à mente fazer
Além de repousar em paz,
Livre de conceito.








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