segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

POR QUE SOU PAGÃO - por Lin Yutang (texto na íntegra)










Por que Sou Pagão – por Lin Yutang





A religião é sempre uma coisa pessoal, individual. Toda pessoa deve formar seus próprios pontos de vista sobre  a religião, e se for sincera, Deus não a culpará, seja qual for o resultado. A experiência religiosa de cada homem é válida para ele, pois não é matéria de discussão. Mas a narração da luta de uma alma honesta com os problemas religiosos, relatada de forma sincera, será sempre útil para os demais. Por isso é que se tratando de religião, devo fugir de generalidades e narrar meu caso pessoal.
Sou pagão. Esta declaração pode ser tomada como implícita de uma revolta contra o cristianismo; mas a “revolta” parece uma palavra crua e não descreve exatamente o estado de espírito de um homem que, por uma evolução muito agradável, ao passo se afastou do cristianismo, uma evolução durante a qual se aferrou desesperadamente, e com amor e com piedade, a uma série de dogmas que, contra a sua vontade, se iam afastando dele. Impossível, portanto, falar de rebelião, pois jamais houve ódio. 

Como nasci na família de um pastor protestante e fui algum tempo preparado para o ministério cristão, as minhas emoções naturais ficaram do lado da religião durante toda a luta, e não contra ela. Nesse conflito de emoções e compreensão, cheguei gradualmente a uma posição, por exemplo, em que havia decididamente renunciado à doutrina da redenção, posição esta que não poderia ser classificada simplesmente de paganismo. Era, e ainda é, uma condição de crença no tocante à vida e ao universo e na qual me sinto natural e à vontade, sem ter de estar em guerra comigo mesmo. O processo foi tão natural quanto o desmame de uma criança ou a queda de uma maçã madura por terra. E chegado o momento de cair a maçã, não quis imiscuir-me na queda. Na fraseologia taoista, isto não é mais do que viver no Tao e, na fraseologia ocidental, não é mais do que ser sincero consigo próprio e com o universo, segundo as luzes de cada qual. Creio que ninguém pode ser natural e feliz sem que seja naturalmente sincero consigo mesmo, e ser natural é estar no céu. Para mim, ser pagão é ser natural.

“Ser pagão” não é mais que uma frase, como “ser cristão”. Não é mais que uma afirmação negativa, porque, ara o comum dos leitores, ser pagão significa unicamente não ser cristão; e, como “ser cristão” é uma expressão muito ampla e ambígua, o significado de “não ser cristão” está igualmente mal definido. Pior é definir um pagão como uma pessoa que não crê na religião nem em Deus, pois teríamos de explicar ainda o que se quer dizer com Deus, ou uma atitude religiosa perante a vida. Os grandes pagãos sempre tiveram uma atitude profundamente reverente para com a natureza. Temos, pois, de tomar a palavra no seu  sentido convencional e significar simplesmente que um homem que não vai à igreja (salvo por uma inspiração estética, de que ainda sou capaz) não pertence ao rebanho cristão e não aceita os seus dogmas usuais, ortodoxos.

Sob o aspecto positivo, um pagão chinês, a única espécie de que se possa falar com algum sentimento de intimidade, é o que começa esta vida terrena pensando que ela é tudo o que pode ou deve ocupar-nos, deseja viver em segurança e felicidade enquanto dure esta vida, tem seguidamente o sentimento da pungente tristeza desta vida e afronta-o alegremente, mostra uma aguda apreciação do belo e do bom cada vez que os encontra, e considera que fazer o bem traz em si a sua recompensa mais satisfatória. Admito, contudo, que alimenta uma leve piedade ou desdém pelo homem “religioso”, que faz o bem para chegar ao céu e que, implicitamente, não o faria se não tivesse a promessa do céu ou a ameaça do inferno. Se esta afirmação é exata, creio que neste país há muito mais pagãos, mais do que eles próprios creem. O cristão liberal moderno e o pagão estão na verdade muito próximos um do outro, e só diferem quando começamos a falar de Deus. 

Creio conhecer as profundezas da experiência religiosa, pois creio que se pode ter essa experiência sem ser um grande teólogo, como o Cardeal Newman; do contrário, o cristianismo não valeria a pena, ou já deve ter sido terrivelmente mal interpretado. Tal como se me afigura atualmente, a diferença de vida espiritual entre um cristão e um pagão é simplesmente esta: o cristão vive num mundo governado e vigiado por Deus, com quem mantém constante relação pessoal, e portanto, num mundo presidido por um pai bondoso; sua conduta se eleva muitas vezes a um nível condizente com a consciência de ser filho de Deus, nível sem dúvida difícil de manter em toda a vida, ou mesmo por uma semana, ou um dia; sua vida real varia entre o nível humano e o nível religioso.

Por sua vez, o pagão vive neste mundo como um órfão, sem o benefício desse consolador sentimento de que há sempre no céu alguém que, quando se estabeleça essa relação pessoal que se chama prece, cuidará de seu bem estar privado. Não há dúvida que é um mundo menos animado; mas tem o pagão o benefício e a dignidade de ser um órfão, que por sua necessidade aprendeu a ser independente, a cuidar de sua pessoa, e a ser mais amadurecido, como o são todos os órfãos. Esta sensação, mais que qualquer crença intelectual – esta sensação de cair num mundo sem o amor de Deus – foi o que me assustou na realidade até o último momento da minha conversão ao paganismo; cria, como muitos cristãos natos, que se não existisse um deus pessoal, o universo perderia sua base.

E contudo, o pagão pode chegar a um ponto em que olha este mundo como um mundo mais infantil, mais adolescente, diria eu; útil e aproveitável, se se mantém sem mácula a ilusão; um mundo mais lindamente colorido também, mas por conseguinte, menos solidamente certo, e, por isso, de menos valor. Deve-se estar decidido a pagar um preço pela verdade; quaisquer que sejam as consequências, venha a verdade. Esta posição é comparável, é psicologicamente igual à do assassino: se cometeu um assassinato, o melhor que pode fazer depois é confessá-lo. Por isso que digo que é preciso pouca coragem para chegar a ser pagão. Mas, depois de ter aceito o pior, fica a gente sem temores. A paz de espírito é a condição mental de haver aceitado o pior. (Aqui vejo por mim mesmo a influência budista ou taoísta.)
Ou poderia assinalar a diferença entre os mundos pagão e cristão desta maneira: o pagão em mim renunciou ao cristianismo ao mesmo tempo por orgulho e humildade, orgulho emocional e humildade intelectual, mas talvez em conjunto menos por orgulho que por humildade. Por orgulho emocional, porque odiava a ideia de que tivesse que haver alguma razão para comportar-nos como homens decentes, além da simples razão de que somos seres humanos; teoricamente, podeis classificar isto como um pensamento tipicamente humanista. Mais, porém, por humildade intelectual, simplesmente porque, com os nossos conhecimentos astronômicos, não posso crer que um ser humano individual seja tão terrivelmente importante aos olhos do Criador, vivendo como vive o indivíduo, átomo infinitesimal nesta terra que é um átomo infinitesimal do sistema solar, o qual é um átomo infinitesimal do universo de sistemas solares. O que me assombra é a audácia do homem e a sua presunçosa arrogância. Que direito temos de conceber o caráter de um Ser Supremo, de cuja obra apenas podemos ver uma milionésima parte, e de postular acerca de Seus atributos?

A importância do indivíduo humano é indubitavelmente um dos dogmas básicos do cristianismo. Mas vejamos a que ridícula arrogância isto conduz na prática usual da diária vida cristã.
Quatro dias antes dos funerais de minha mãe ocorreu uma chuva torrencial, e se continuasse, como costumava acontecer em Changchow em julho, a cidade se inundaria e os funerais não poderia, ser realizados. Como quase todos nós tínhamos chegado de Xangai, o atraso acarretaria inconvenientes. Uma de minhas parentas – exemplo um tanto extremado, mas não raro, do crente cristão na China – disse-me que tinha fé em Deus, que sempre atendia aos Seus filhos. Rezou, e parou a chuva, aparentemente com o fim de que uma pequena família de cristãos pudesse realizar um funeral sem mais tardança. Mas a ideia implícita de que, se não fora pela nossa causa, Deus teria submetido Changchow a uma enchente devastadora, como ocorria amiúde, ou que não deteve a chuva por eles, mas por nós, que queríamos ter um funeral sem lama, afigurou-se-me um caso típico de incrível egoísmo. Não posso imaginar que Deus atenda a filhos tão egoístas.

Houve também um pastor cristão que escreveu a história de sua vida, dando fé das muitas provas da ação de Deus em sua vida, com o propósito de glorificar a Deus. Uma das provas que aduzia era que, depois de ter reunido seiscentos dólares-prata para comprar a passagem para os Estados Unidos, Deus reduziu a taxa de câmbio no dia exato em que esse indivíduo tão importante deveria comprar a passagem. A diferença na taxa de cambio sobre seiscentos dólares de prata deve ter sido de uns dez a vinte dólares, e Deus estava disposto a comover as bolsas de paris, Londres e Nova York a fim de que esse seu filho pudesse economizar dez a vinte dólares. Recordemos que essa forma de glorificar a Deus não é coisa rara em nehuma parte da Cristandade.

Ó insolência e vaidade do homem, cujo lapso de vida é apenas de três vintenas de anos! A humanidade, em conjunto, pode ter uma história significativa, mas o homem como indivíduo, segundo as palavras de Su Tungp’o, não é mais que um grão de milho num oceano ou um inseto fuyu, que nasce de manhã e morre à tarde. Não quer ser humilde o cristão. Não se satisfaz com a imortalidade da grande corrente da vida, de que faz parte e que flui para a eternidade como um poderoso rio. Um vaso de argila perguntará ao oleiro: “Por que me deste esta forma e por que me fizeste tão quebradiço?” O homem não se satisfaz com haver recebido este corpo maravilhoso, este corpo quase divino. Quer viver para sempre! E não deixa tranquilo a Deus, há de dizer suas ladainhas e rezar diariamente, para pescar pequenos dons pessoais na Fonte de Todas as Coisas. Por que não pode deixar tranquilo a Deus?

Houve uma vez um sábio chinês que não cria no budismo, mas cuja mãe era crente. Era uma mulher devota e pretendia crescer em méritos balbuciando “Namu Omitabha!” mil vezes dia e noite. Mas, a cada vez que pronunciava o nome de Buda, seu filho a chamava: “Mamãe!” A mãe se aborreceu por fim. “Bem,” disse o sábio, “não crês que Buda se aborreceria também se pudesse ouvir-te?”

Meu pai e minha mãe eram devotos cristãos. Era de se ver meu pai quando dirigia as preces noturnas da família. E eu era um menino sensitivamente religioso. Como filho de um pastor, recebi as facilidades da educação dos missionários, aproveitei seus benefícios e sofri suas desvantagens. Sempre fui agradecido a esses benefícios e converti em força minha as suas desvantagens. Porque, segundo a filosofia chinesa, não há, na vida, boa ou má sorte.

Era-me proibido ir aos teatros chineses, nunca me permitiram escutar os troveiros chineses, e separaram-me inteiramente da grande tradição e da mitologia populares. Quando ingressei num colégio de missionário, descuidou-se por completo a escassa base de chinês clássico que me havia dado meu pai. Talvez haja sido melhor assim, para que mais tarde, depois de receber uma educação completamente ocidentalizada, pudesse eu volver ao chinês com a frescura e o vigoroso deleite de um filho do Ocidente que se adentra no país da maravilha oriental. A maior sorte que tive foi a substituição do pincel de escrever pela caneta automática, durante o meu período de colegial e de adolescente, pois conservou intata para mim a frescura do mundo mental do Oriente, até que eu estivesse preparado para ele. Se o Vesúvio não houvesse coberto Pompéia, Pompéia não estaria tão bem conservada e os sinais das rodas dos carros nas suas ruas não teriam ficado tão claramente marcados até hoje. A educação num colégio de missionários foi o meu Vesúvio.

Pensar era sempre aliar-se com o Diabo. Durante o meu período de colegial adolescente que, segundo o costume, foi o meu período religioso, já ocorria o conflito entre um coração que sentia a beleza da vida cristã e uma cabeça que tendia a raciocinar tudo. É curioso, mas não posso recordar instantes de tormento ou desespero, como os que quase  levaram Tolstói ao suicídio. Em cada etapa me sentia um cristão unificado, harmonioso em sua crença, mas um pouco mais liberal que na etapa anterior, e aceitando menos algumas doutrinas cristãs. De qualquer modo, sempre podia voltar ao Sermão da Montanha. A poesia de frases como “considerai os lírios do campo,” era devidamente boa para não ser verdadeira. Isto, e a consciência da íntima vida cristã, foi o que me deu forças.

Mas as doutrinas se afastavam terrivelmente. Primeiro, começaram a causar espécie as coisas superficiais. A “ressurreição da carne”, desmentida há muito tempo, desde quando não ocorreu a esperada aparição do Cristo no século I e quando os Apóstolos não se levantaram de seus túmulos, estava ainda no Credo. Isto era uma dessas coisas.

Depois, inscrito numa classe teológica e iniciado no mais sagrado, soube que outro artigo do Credo, o Parto da Virgem, estava em dúvida, pois diferentes deães de seminários teológicos ocidentais sustentavam critérios distintos. Exasperou-me que se exigisse dos crentes chineses a crença categórica nestes artigos antes de serem batizados, ao passo que os teólogos da mesma Igreja o consideravam matéria de dúvida. Não me pareceu sincero, e não me pareceu bem.

Outros estudos sem maior significação, como os comentários sobre o local da “porta da água” e outras minúcias que tais, me relevavam completamente da responsabilidade de tomar à sério esses estudos teológicos, e ganhei notas más. Meus professores consideraram que eu não tinha jeito para o ministério cristão, e o bispo opinou que eu podia muito bem ir-me embora. Não iam desperdiçar comigo a sua instrução. Também isto de afigura uma bênção disfarçada. Duvido que, se seguisse adiante e houvesse envergado as roupagens clericais, tão fácil não me seria ser honesto comigo mesmo mais tarde. Mas esse sentimento de rebelião contra a discrepância de crenças que se exigia do teólogo e do convento comum foi a sensação mais próxima da “revolta” que jamais tive. 
Então já havia eu chegado à conclusão de que os teólogos cristãos eram os maiores inimigos da religião cristã. Jamais pude contornar duas grandes contradições. A primeira era que os teólogos haviam feito com que toda a estrutura da fé dependesse da existência de uma maçã. Se Adão não tivesse comido a maçã não haveria pecado original, e se não houvesse pecado original não haveria necessidade de redenção. Isto me era evidente, qualquer que fosse o valor simbólico da maçã. 

Mas me pareceu absurdamente injusto com os ensinamentos de Cristo, que jamais disse uma palavra acerca do pecado original ou da redenção. De qualquer modo, sinto, como todos os orientais modernos, que não tenho consciência do pecado, e não creio nele, simplesmente. Tudo o que sei é que, se Deus me ama apenas a metade do que me ama a minha mãe, não me mandará para o inferno. Isto é uma conclusão da minha consciência íntima e por nenhuma religião poderia eu negar a sua verdade.

Ainda mais absurda me pareceu outra proposição. Trata-se do argumento de que, quando Adão e Eva comeram uma maçã durante a sua lua-de-mel, tanto se enfureceu Deus que condenou  sua posteridade a sofrer de geração em geração por esse pequeno pecado, mas, quando a mesma posteridade matou ao único Filho do mesmo Deus, Deus ficou tão encantado que perdoou a todos. Por mais que me expliquem e discutam comigo a respeito, não me adianta nada. Esta foi a última das coisas que me perturbaram.

Mas, depois de formar-me, era eu um zeloso cristão e dirigia voluntariamente uma escola dominical em Tsing Hua, um colégio não-cristão em Pequim, para inquietação de muitos membros da faculdade. A reunião de Natal na escola dominical era uma tortura para mim, porque eu impingia aos meninos chineses a história dos anjos que cantavam à meia-noite para apregoar o acontecimento, e não acreditava nisso. Tudo havia desaparecido com o raciocínio, e só restavam o amor e o temor: uma espécie de pegajoso amor a um Deus onisciente, que me fazia sentir feliz e pacífico e suspeitar que não seria tão feliz e pacífico sem esse reconfortante amor; e o temor de entrar num mundo de órfãos.

Finalmente veio a minha salvação.

-É que – arrazoei com um colega – se não houvesse Deus, a gente não faria o bem, e o mundo se transtornaria. –Por quê? Respondeu meu colega, confuciano. – Viveríamos uma decente vida humana simplesmente porque somos seres humanos decentes.
Este apelo à dignidade humana cortou o meu último laço com o cristianismo, e desde esse momento fui pagão.

Agora tudo me é muito claro. O mundo da crença pagã é mais simples. Nada postula, e não está obrigado a postular porque apela para uma vida boa por si mesma. Justifica melhor o bem, pois torna desnecessário, para fazer o bem, justifica-lo de algum modo. Não anima os homens, por exemplo, a praticar um pequeno ato de caridade mediante uma série de postulados hipotéticos – pecado, redenção, a cruz, obtenção de um lugar no céu, obrigação mútua entre os homens devido à relação com um terceiro no céu – que são desnecessariamente complicados, e não pode nenhum ser demonstrado com aprova direta. Se se aceita a afirmação de que fazer o bem traz em si a própria justificativa, é impossível não considerar que todos os untos teológicos são demais e tendem a nublar o brilho de uma verdade moral. O amor entre os homens deveria ser uma coisa absoluta. Deveríamos poder olhar-nos e amar-nos, sem recordar a um terceiro no céu. O cristianismo, parece-me, faz com que a moralidade se apresente como coisa desnecessariamente difícil e complicada, e o pecado como coisa tentadora, natural e desejável. Em compensação, só o paganismo é que parece capaz de resgatar a religião da teologia e restaurá-la na sua formosa singeleza de crença de sentimento.
Estou a ver quantas complicações teológicas surgiram nos séculos I, II e III e converteram as simples verdades do Sermão da Montanha numa estrutura rígida, total, para sustentar um conjunto de sacerdotes. Tudo isto, explica-o a palavra revelação – a revelação de um mistério especial ou de um plano divino, feito a um profeta e mantida por uma sucessão apostólica, que se considerou necessária em todas as religiões, desde o maometismo e o mormonismo até o lamaísmo do Buda  Vivo e Christian Science da Sra. Eddy, a fim de que cada um deles manejasse um monopólio patenteado de salvação. Todos os sacerdotes vivem da comida comum da revelação. As singelas verdades dos ensinamentos de Cristo na Montanha devem ser adornadas e os lírios que tanto o encantaram devem ser devidamente dourados. Por isso temos o “primeiro Adão” e o “segundo Adão”, e assim com tudo o mais.

Mas a lógica Paulina que parecia tão convincente e indiscutível nos primeiros dias da era cristã, parece débil e nada convincente nesta discrepância entre a rigorosa lógica dedutiva asiática e a mais flexível, mais sutil apreciação da verdade do homem moderno, reside a debilidade do atrativo da revelação cristã, ou qualquer outra, para o homem moderno. Portanto, só com o retorno ao paganismo e a renúncia à revelação pode a gente voltar ao cristianismo primitivo, para mim mais satisfatório.
Não está bem, pois, falar de um pagão como de um homem irreligioso; somente é irreligioso por se negar a crer numa variedade espacial da revelação. Um pagão crê sempre em Deus, mas não lhe agrada dizê-lo, por temos a que não o compreendam. Todos os pagãos chineses creem em Deus, e a designação mais comum que se lhe dá na literatura chinesa é o termo Chaowu, ou seja, o Criador das Coisas. A única diferença é que o pagão chinês é tão honesto que deixa o Criador das Coisas em um halo de mistério e sente por Ele uma espécie de pasmada piedade e veneração. E, o que é mais, este sentimento lhe basta. Tem conhecimento também da beleza deste universo, da estesia das mil coisas desta criação, do das estrelas, da grandeza do céu, da dignidade da alma humana. Mas também isto lhe basta. Aceita a morte como aceita o sofrimento, e pesa-os contra o dom da vida e da fresca brisa do campo e da clara lua da montanha, e não se queixa. Considera que dobrar-se ante a vontade do céu é a atitude verdadeiramente religiosa e pia, e chama-a “viver no Tao.” Se o Criador das Coisas quer que ele morra aos setenta e sete anos, morre contente aos setenta e sete anos. Crê também que o “Caminho do céu sempre dá uma volta”, e que não há uma injustiça permanente no mundo. Não pede mais.







domingo, 27 de dezembro de 2015

HERE'S TO LIFE - LETRA E TRADUÇÃO

Here's To Life

No complaints and no regrets
I still believe in chasing dreams and placing bets
But i have learned that all you give is all you get, so give it all you got
I had my share, i drank my fill, and even though i'm satisfied i'm hungry still
To see what's down another road, beyond a hill and do it all again
So here's to life and all the joy it brings
Here's to life the dreamers and their dreams
Funny how the time just flies
How love can turn from warm hellos to sad goodbyes
And leave you with the memories you've memorized
To keep your winters warm
There's no yes in yesterday
And who knows what tomorrow brings or takes away
As long as i'm still in the game i want to play
For laughs, for life, for love
So here's to life and all the joy it brings
Here's to life, the dreamers and their dreams
May all your storms be weathered
And all that's good get better
Here's to life, here's to love, here's to you
May all your storms be weathered
And all that's good get better
Here's to life, here's to love, here's to you










Tradução


Um Brinde à Vida


Sem queixas e sem arrependimentos
Eu ainda acredito em perseguir sonhos e fazer apostas
Mas eu aprendi que tudo o que você dá é tudo que você consegue,
Então dê tudo o que você tem
Eu tive minha parte, eu bebi a minha dose,
E embora eu esteja satisfeita, eu estou com fome ainda
Para ver o que está na outra estrada, além da montanha e fazer tudo de novo
Então um brinde à vida e toda a alegria que ela traz
Um brinde à vida, e aos os sonhadores e  seus sonhos

Engraçado como o tempo só voa
Como o amor pode se transformar de saudações calorosas a despedidas tristes
E deixá-lo com as lembranças que você memorizou
Para manter seus invernos quentes
Mas não há "sim" no dia de ontem
E quem sabe o que o amanhã traz ou tira
Enquanto eu ainda estou no jogo eu quero jogar
Pelos risos, pela a vida, pelo  amor

Então um brinde à vida e toda a alegria que ela traz
Um brinde à vida, aos sonhadores e  seus sonhos
Que todos os seus tempestades possam ser fracas
E tudo que é bom ficar melhor
Um brinde à vida, um brinde ao amor, um brinde a você





segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

GOETHE







"Por que te queixares de inimigos? Deveriam algum dia tornar-se amigos aqueles para os quais uma natureza como a tua é em segredo, uma eterna reprovação?"

"O mais belo dito é depreciado, se o ouvinte tem ouvidos moucos."


"Nada podes fazer, tudo está insensível. Não te importes: a pedra lançada no lodaçal não traça círculos."





quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assuntos Inacabados








Trechos do livro Assuntos Inacabados, de Lee Kravitz



"Estamos todos no corredor da morte, e, se você quiser tentar descobrir o sentido e o significado da sua vida, tem de começar pela única coisa que é certa e absoluta: você vai morrer."



"A ave sai do ovo, o ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem de destruir um mundo. A ave voa para Deus. E o Deus se chama Abraxas."






"Quando você soma tudo - ou subtrai tudo -, o resultado é Deus."





terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ritos de Adeus










Trecho do livro Ritos de Adeus, de Hannah Kent


"Você não vai para casa, você se foi; o silêncio vai reivindicar você, sugar sua vida para suas águas escuras e gerar estrelas que podem lembrar de você, mas, se o fizerem, não dirão, não dirão, e se ninguém disser seu nome, você é esquecida, eu fui esquecida."





segunda-feira, 30 de novembro de 2015

ARIANO SUASSUNA





"Não me preocupo muito em ter ou não uma posição como artista. Literatura para mim não é mercado. É a minha festa, é onde eu me realizo. Digo sempre: arte é missão, vocação e festa. Não me venham com essa história de mercado."







"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte:
o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."





"Jesus às vezes se disfarça de mendigo pra testar a bondade dos homens."
(Em: O Auto da Compadecida)






"Não existe arte nova ou velha, só boa ou ruim."






"O autor que se julga um grande escritor, além de antipático é burro, imbecil. Um escritor só pode ser julgado depois da sua morte. Muito tempo depois."







"Eu não tenho imaginação, eu copio. Tenho simpatia por mentiroso e doido. Como sou do ramo, identifico mentiroso logo."






quinta-feira, 19 de novembro de 2015

NERUDA







Gosto quando te calas 




Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.



Pablo Neruda





segunda-feira, 9 de novembro de 2015

QUASE






Quase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

POR: Sarah Westphal





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

ED SHEERAN




Edward Christopher Sheeran, é um cantor e compositor britânico. No início de 2011, Sheeran lançou um extended play independente, que chamou a atenção de ambos Elton John e Jamie Foxx. Ele, em seguida, assinou contrato com a Asylum Records. Wikipédia
Nascimento: 17 de fevereiro de 1991 EM  Hebden Bridge, Reino Unido






Loving can hurt
Loving can hurt sometimes
But it's the only thing that I know
And when it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive

We keep this love in a photograph
We made these memories for ourselves
Where our eyes are never closing
Hearts were never broken
And time's forever frozen still

So you can keep me inside the pocket
Of your ripped jeans
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone
Wait for me to come home

Loving can heal
Loving can mend your soul
And it's the only thing that I know
I swear it will get easier
Remember that with every piece of you
And it's the only thing we take with us when we die

We keep this love in a photograph
We made these memories for ourselves
Where our eyes are never closing
Our hearts were never broken
And time's forever frozen still

So you can keep me inside the pocket
Of your ripped jeans
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone
And if you hurt me that's okay baby
Only words bleed
Inside these pages you just hold me
And I won't ever let you go
Wait for me to come home

Oh you can fit me
Inside the necklace you got
When you were sixteen
Next to your heartbeat where I should be
Keep it deep within your soul

And if you hurt me
Well that's okay baby
Only words bleed
Inside these pages you just hold me
And I won't ever let you go

When I'm away
I will remember how you kissed me
Under the lamppost back on 6th street
Hearing you whisper through the phone
Wait for me to come home






quinta-feira, 22 de outubro de 2015

SOBRE O SUCESSO






Pensamentos sobre o sucesso



"A justiça cobrirá a terra como a água cobre o mar Eu não quero o sucesso, o sucesso não me diz nada Muitas pessoas tem sucesso mais vivem como mortos."
Bob Marley



"Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos."
Friedrich Nietzsche


"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade."
Confúcio


"Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso."
Albert Einstein


"O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair."
Bill Gates


"O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes."
Salvador Dalí


"Levei vinte anos para fazer sucesso da noite para o dia."
Eddie Cantor


"Os homens que se tornam arrogantes com o sucesso têm o mau hábito de odiarem aqueles a quem ofenderam."
Sêneca



"Todo mundo é capaz de sentir os sofrimentos de um amigo. Ver com agrado os seus êxitos exige uma natureza muito delicada."
Oscar Wilde



"Um homem é um sucesso se pula da cama de manhã e vai dormir à noite , e nesse meio tempo faz o que gosta."
Bob Dylan



"Os malvados que têm sucesso são insuportáveis."
Ésquilo


"O sucesso encoberta uma multidão de tolices."
George Bernard Shaw



Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos.
John F. Kennedy




quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Liza Minnelli - A Preferida de Freddie Mercury





Liza Minnelli foi uma atriz precoce, participando no primeiro filme em 1949 (In the Good Old Summertime), aos quatorze meses de idade. Com dezesseis anos, Liza foi para Nova Iorque por sua conta, para iniciar a carreira artística. Em 1964, a mãe convidou-a para participarem juntas num espectáculo em Londres, que teve excelente repercussão. Foi nessa ocasião que Liza conheceu o primeiro marido, o cantor e compositor australiano Peter Allen, amigo de Judy Garland.

Liza ganhou um prêmio Tony aos 19 anos de idade e, em 1969, aos 23 anos, foi indicada ao primeiro Oscar, pelo papel de Pookie Adams em The Sterile Cuckoo.


Os anos 1970 foram anos de muito trabalho para Liza. Actuou nos palcos, nas telas e na música.

Em 1972, Minnelli protagonizou um dos maiores sucessos da carreira, como Sally Bowles, no filme Cabaret, adaptação do musical homônimo. O longa-metragem é também um dos maiores sucessos de bilheteria de Hollywood e projetou Liza como um dos maiores ícones do cinema mundial. O talento como cantora foi reconhecido com a interpretação antológica da canção-tema homónima. Minnelli venceu o Óscar de Melhor Atriz pelo desempenho e o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical. Foi simultaneamente capa das revistas Time e Newsweek. Além de Cabaret, uma das interpretações mais conhecidas é New York, New York, do musical de mesmo nome.




Com o amigo Halston, era frequentadora assídua do Studio 54, o mais famoso clube noturno do mundo. Em 1974, participou como narradora do filme Isto é o espetáculo, com Fred Astaire e Gene Kelly. Casou-se em 1974 com o produtor e diretor de televisão Jack Haley, Jr., e em 1979 com o escultor Mark Gero, mas os dois casamentos acabaram em divórcio.

Nos últimos anos, a carreira tem estado voltada mais para os palcos e para a música. Gravou com Frank Sinatra o CD Duets e Sammy Davis Jr.; juntou-se a eles para uma série de concertos e espetáculos na televisão, que tiveram óptima repercussão.



Em 1997, Liza sofreu uma cirurgia às cordas vocais, época em que começou a assistir a todos os filmes do pai adoptivo. Isso levou-a a estrear um espetáculo na Broadway intitulado Minnelli on Minnelli.

Casou-se em 2002 com David Gest, promoter e produtor de televisão, e o divórcio ocorreu em 2007. (Ela se separou de Gest em 2003.)[2] [3]




Em 2006 gravou a canção Mama em parceria com a banda My Chemical Romance.

Após a performance como Dudley Moore, no longa-metragem Arthur, Minnelli fez poucas aparições no cinema.  -  WIKIPEDIA




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Arthur Schopenhauer






Alguns pensamentos de Schopenhauer


"A inveja dos homens mostra como se sentem infelizes e a permanente atenção que prestam às ações e omissões alheias, como se aborrecem."




"A solidão é a sorte de todos os destinos eminentes."



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"Um dos estudos principais da mocidade deveria ser o de aprender a suportar a solidão, que é uma fonte de felicidade e de paz espiritual."



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"Onde há muita gente, há muita ralé, mesmo que toda ela ostente condecorações."



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"É tão fácil e tão pouco basta para levantar um coração sedento de elogio."


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"Perdoar e esquecer significa jogar pela janela afora uma experiência preciosamnte adquirida."


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"Do ponto de vista da mocidade, a vida é um futuro infinitamente longo; do da velhice, um pretérito brevíssimo."




Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão do século XIX. Seu pensamento sobre o amor é caracterizado por não se encaixar em nenhum dos grandes sistemas de sua época.

Nascimento: 22 de fevereiro de 1788, Gdańsk, Polônia
Falecimento: 21 de setembro de 1860, Frankfurt am Main, Alemanha


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SARTRE

Alguns pensamentos de Jean-Paul Sartre. "Falamos na nossa própria língua e escrevemos numa língua estrangeir...